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quarta-feira, março 29, 2017

ELVIRA SOUZA LIMA - Linguagem na infância: da oralidade à alfabetização. Questões atuais.



Linguagem na infância:
da oralidade à alfabetização.
Questões atuais

 
ELVIRA SOUZA LIMA

 O tema de nosso encontro será Linguagem na infância: da oralidade à alfabetização. Vou abordar desde o desenvolvimento da oralidade do bebê aos anos iniciais do Ensino Fundamental e  a apropriação da leitura e da escrita. Trarei, para tanto,  pesquisas recentes e as discussões internacionais atuais sobre este tema na Europa e Estados Unidos. Palavras ou sentenças? Sintaxe no cérebro: como funciona? Qual a função da sintaxe no processo de aprender a ler e a escrever? Como entender a pedagogia e o currículo da educação infantil considerando os conhecimentos recentes da neurociência? Escrita ou artes? Montessori novamente? Estas são alguns pontos que tratarei. Temos um encontro para valorizar a pedagogia partindo dos avanços nas pesquisas sobre desenvolvimento humano contemporâneas, porém retomando alguns autores fundamentais do século XX.

Dia:  8 de abril
Local: Casa Diálogos - Rua Orlando Valderano 47, 
Vila Santo Estevão - Tatuapé - São Paulo SP
Horário: 9h às 12h

informações e inscrição:
http://bit.do/dialogoelvira




sábado, março 12, 2016

FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL - ELVIRA SOUZA LIMA, 2016


ELVIRA SOUZA LIMA
FUNDAMENTOS DA
EDUCAÇÃO INFANTIL

lançamento março 2016

EDITORA INTER ALIA 

ISBN: 978-85-65669-23-8
ISBN Livro digital (e-book): 978-85-65669-24-5



quarta-feira, julho 23, 2014

Contribuições da neurociência para a educação - no site Educar Para Crescer




No ar matéria da competente jornalista Iana Chan, com quem tive o prazer de conversar longamente, sobre cérebro, desenvolvimento humano e infância.

http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/contribuicoes-neurociencia-educacao-791927.shtml

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Não há receita para educar os filhos, mas a Ciência tem apontado caminhos para a difícil tarefa de fazer com que os pequenos tenham uma vida plena, saudável e bem-sucedida. Nas últimas décadas, o estudo do cérebro trouxe várias contribuições para o trabalho de pais e de professores.

Conhecer como funciona o cérebro não é pouca coisa. Esse órgão de 1,5 kg comanda nosso desenvolvimento físico, social, emocional, linguístico e cognitivo. Personalidade, emoção, linguagem, memória, pensamento… Está tudo lá. E a chamada neurociência já descobriu alguns mecanismos que contribuem para o desenvolvimento saudável do cérebro. "Ao revelar essa coreografia cerebral, a neurociência nos mostra a melhor forma de interferir", diz Elvira Souza Lima, pós-doutorada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em Neurociência, Psicologia, Antropologia e Música.

Um desenvolvimento cerebral saudável, dizem os especialistas, precisa de estímulo e proteção. "As experiências no começo da vida formam a base para todo o desenvolvimento posterior", explica diretor do Centro para o Desenvolvimento Infantil de Harvard, nos Estados Unidos, Jack Shonkoff, que defende a importância da interação das crianças com a família e a proteção contra o chamado estresse tóxico. "Precisamos assegurar ambientes acolhedores, estáveis e estimulantes para as crianças", afirma .

Nota: as falas de Elvira Souza Lima foram coletadas durante o XVII Seminário de Educação Infantil, organizado pelo Centro de Estudos do Colégio Santa Maria, em São Paulo, enquanto as de Jack Shonkoff foram proferidas durante o Seminário Interativo pela Primeira Infância, na Câmara Municipal de São Paulo.



quarta-feira, abril 16, 2014

O que os olhos veem, o cérebro sente


O que os olhos veem, o cérebro sente


12 fatos sobre como estímulos visuais e motores atuam no processo de alfabetização. Coisas que você pode fazer em casa com seu filho

Por - Mariana Meira, filha de Marisa e Celso - Revista Pais e Filhos
11.04.2014

1. Ler e escrever é também um processo biológico. Além dos aspectos culturais envolvidos na leitura e escrita, o aprendizado dessas habilidades depende de estimular o cérebro, diz a pesquisadora em desenvolvimento humano Elvira Souza Lima, mãe de Juliana e Gabriel. “O estímulo leva o cérebro a se apropriar da linguagem ensinada, formando sempre novas conexões ao aprender”, explica.

2. Escrever é mais complexo do que ler. O cérebro ativa 17 áreas cerebrais diferentes para ler. Já para escrever, o cérebro precisa das habilidades aprendidas anteriormente na leitura.

3. Começar a ler e escrever mais cedo não significa ser mais inteligente. Colocar o lápis na mão do seu filho aos 4 de idade não vai fazer dele um pequeno gênio. De acordo com a pesquisadora, estimular a criança com atividades lúdicas e artísticas, como desenhar e tocar instrumentos, pode dar uma base mais sólida pra que ela seja melhor alfabetizada na hora certa.

4. Espelhar as letras na hora de escrever é normal. Em geral, as crianças começam a escrever por volta dos 6 anos. No começo, muitas invertem o R , o L e o S. “Depois dos 7, a criança passa a associar melhor a imagem e passará então a escrever mais corretamente”, explica a pesquisadora.

5. Os estímulos feitos na infância ficam na memória do cérebro pra sempre. “As atividades artísticas da infância dão a base para o cérebro aprender outras habilidades”, diz a pesquisadora.  Adquiridas nos primeiros anos de vida, as modificações cerebrais que essas atividades produzem estimulam a imaginação e a criatividade. Permanecem pra vida toda e fazem toda a diferença na alfabetização.

6. Música é a atividade artística mais completa. Pode ser um instrumento, palmas marcando um ritmo, um canto ou uma dança: o estímulo que vem com o aprendizado musical é mais completo do que ler e escrever. A música é campeã em ativar redes neuronais no cérebro. “Uma criança que começa antes dos 7 anos a estudar música tem maiores possibilidades de os lados esquerdo e direito do cérebro se comunicarem melhor, desenvolvendo a atividade do pensamento”, explica Elvira.

7. Música facilita o aprendizado. A música exercita a concentração e a criatividade e ainda envolve habilidades motoras e visuais. Isso sem contar a parte emocional: “Cantar sozinha ou em conjunto libera uma química positiva que gera bem-estar na criança e, por aumentar a autoestima, melhora o desenvolvimento escolar”, aponta a pesquisadora.

8. Cantar ajuda no desenvolvimento do vocabulário e no domínio da gramática. “Enquanto a criança desenvolve a noção de ritmo, desenvolve também a expansão do vocabulário e a segmentação das palavras cantadas,  aprendizados importantes para ler e escrever”, aponta a pesquisadora.

9. O foco e a atenção são exercícios, e não características da criança. O aprendizado da leitura  é um processo biológico e cultural. “A criança precisa formar os atributos”, ressalta a pesquisadora. Por isso, os estímulos dos pais e da escola são fundamentais para criar as estruturas cerebrais responsáveis pela atenção.

10. Atividades criativas são fundamentais. Por ser uma atividade passiva, assistir desenho na TV ou no tablet não estimula o cérebro com tanta intensidade como quando a criança cria algo novo. “Apenas receber as imagens visuais e coloridas não forma novas redes cerebrais e não estimula o poder da imaginação”, explica a pesquisadora. A dica é não exagerar nem lá, nem cá: controle o tempo do seu filho no computador, tablet e celular.

11. Intercale livros com e sem imagem para o seu filho de vez em quando. “Quando uma criança não tem o apoio das ilustrações em um livro, ocorre mais intensamente o processo de imaginação e formação mental de imagens, importante para o desenvolvimento”, explica Elvira. 

12. Faça atividades em família pelo menos uma vez por dia. Que tal reservar um tempo pra ligar o som e colocar todo mundo pra dançar e cantar junto? Ou espalhar a caixa de lápis e papeis em cima da mesa e deixar a garotada se divertir? Acredite: não são coisas difíceis de fazer e os resultados valem a pena. “A repetição vai formar redes neuronais na criança, liberar neurotransmissores positivos para ela se sentir bem e ainda estimular o contato entre pais e filhos”, sugere a pesquisadora.

Consultoria: Elvira Souza Lima é mãe de Juliana e Gabriel e pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música.

http://www.revistapaisefilhos.com.br/nossa-crianca/o-que-os-olhos-veem-o-cerebro-sente

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Textos de Elvira Souza Lima - patrocínio do CEPAOS




O CEPAOS  (www.cepaos.org) está patrocinando a venda de três títulos de Elvira Souza Lima, das coleções de textos para educadores, a preços reduzidos. São eles:

A Criança Pequenas e Suas Linguagens
Diversidade e Aprendizagem
Diversidade na Sala de Aula

Os três títulos estão sendo vendidos ao preço de R$30,00 ( trinta reais) por conjunto, preço que inclui o envio por correio registrado simples. O pagamento é feito por depósito bancário. As pessoas interessadas devem enviar uma mensagem para cepaos.org@gmail.com.



sexta-feira, outubro 12, 2012

MINHA HOMENAGEM E AGRADECIMENTO ÀS CRIANÇAS

 ELVIRA SOUZA LIMA
Hoje no Dia das Crianças escrevo em homenagem a todas as crianças que fizeram a pessoa que sou hoje. Começo pelos irmãos mais novos, que ajudei a cuidar ainda criança, eu também. Minhas duas primeiras sobrinhas que nasceram enquanto eu ainda estudava psicologia e que foram as primeiras, com suas vivacidades e brincadeiras, a colocar a semente da dúvida sobre alguns aspectos das teorias que estudava na PUC. Principalmente os testes psicológicos e Piaget. Suspeitei vagamente que havia mais coisas entre o céu e a terra do que a simples teoria.

Às crianças que dei aula de música e piano. Na época não entendia nada da reação delas, maravilhosa, à música. Mas tinha o maior prazer em ensinar. Ficou na minha memória: ensinar precisa dar prazer a quem ensina.
Às crianças com síndrome de Down, da APAE de São Caetano, que toleraram, com bom humor até,a ignorância nossa sobre elas. Deve ter sido difuso o sentimento, mas lembro que me sentia ignorante quando saia de lá dia após dia. O encontro com a diversidade cultural em Paris: crianças imigrantes, crianças francesas de classe popular e de classes abastadas, todas juntas na mesma escola. Imigrantes da Europa, mas também imigrantes do Marrocos, África, exiladas do Brasil e da Argentina, crianças que falavam 5, 7, 10 línguas diferentes na mesma escola e um mundo de experiências culturais diversas no mesmo espaço. Um choque e a descoberta de que certas coisas são comuns a todas crianças e superam barreiras: as brincadeiras, a música e a comunicação por movimentos.

Às crianças vítimas de regimes autoritários que conheci na França, crianças que não foram poupadas pela ditadura, exiladas. Em especial, às crianças que chegaram a ser expostas à tortura dos pais, aqui no Brasil. Às crianças pequenas na periferia de São Paulo, do Movimento Luta por creches. E a todas a que segui conhecendo pelas creches em São Paulo.
 
MEUS FILHOS que nasceram no meio da diversidade de línguas e culturas. E que me surpreendiam a cada dia como, ainda bebês, percebiam e lidavam bem com as diferenças culturais. Não sabíamos o que sabemos hoje sobre o desenvolvimento infantil. Eles, então, colocaram as perguntas certas na minha cabeça. E me ensinaram, também, que a diversidade da espécie humana é uma riqueza, não um problema. Com eles comecei a suspeitar que a experiência cultural nos define como pessoas e que é um desafio conviver com crianças que trazem na sua própria pessoa as marcas de comportamentos culturais que não partilhamos. Mesmo quando estas crianças são nossos filhos. Cuidei muito e resisti a pedidos de pesquisadores que queriam pesquisar meus filhos. Era o início da era Vygotsky. Meus filhos que foram parceiras nas minhas idas e vindas e que me ensinaram muito do que sei sobre crianças de outras culturas. Homenageio, também, todos os amigos de meus filhos, no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa. Com todos eles aprendi a arte da tolerância onde ela é mais difícil, no cotidiano, dentro de sua própria casa.

As crianças indígenas que me ensinaram , entre tantas coisas, que o Rio Amazonas tem várias cores e que a cor da árvore depende da hora do dia. Que desenhar é uma atividade absolutamente séria, como é, também, ouvir a natureza. As crianças excluídas, de rua, sem teto, sem terra, trabalhadores infantis. Crianças que são capazes de brincar de casinha no chão da comunidade de favela no Rio, circundadas por policiais fortemente armados. Crianças latinas e negras nos Estados Unidos, nos guetos de Chicago e em New York. Crianças latinas, na Califórnia, fracassos escolares absolutos que acabam aprendendo e bem, já na quinta série, a ler e a escrever. Elas me ensinaram que é possível aprender, que todas as crianças podem aprender. Agradeço a elas terem me ensinado procurar as raízes do fracasso na pedagogia.
Especialmente às crianças negras, filhas de prisioneiros, em Washington. A capacidade destas crianças em lidarem com a separação, às vezes de pai e mãe feitos prisioneiros, marcou para sempre minha memória. Principalmente o fato de como a literatura foi eixo de reconstituição da família, de retorno aos estudos destes pais e de como as crianças foram a razão das mudanças. Sabemos hoje perfeitamente que o cérebro se transforma e como o faz. Mas na época não sabíamos.

Finalmente a todas as crianças de escolas públicas de tantas cidades nas quais trabalhei e trabalho, que me revelaram que, sim, querem aprender. E, principalmente, que podem aprender, apesar de todas as adversidades. Crianças que ainda têm paciência para tentar mais uma vez, apesar de estarem há anos na escola sem saber, às vezes, as letras. Que, apesar do peso horrível que é o fato de serem estigmatizadas como pessoas incapazes de aprender, seguem tentando e que desabrocham pelo simples fato de encontrar alguém pela frente que acredita que elas são absolutamente capazes.

Tive grandes mestres na minha vida. Cientistas e artistas. Mestres com os quais tive a possibilidade de contato direto e tantos outros através dos livros. A pesquisa, o conhecimento, as teorias são absolutamente necessárias. Porém, tanto na minha trajetória profissional, principalmente como pesquisadora, como na vida pessoal eu devo à convivência com tantas e tantas crianças, de várias etnias, de todas as classes sociais, de inúmeras culturas o que consegui acumular de sabedoria.
E no dia das crianças, mais do que presentear, é importante homenagear as crianças e lembrar que elas são formadas por nós, a geração de adultos. E que nós somos advertidos por elas quando nos equivocamos. Finalmente que, permanecendo com mente e coração abertos, vamos aprender a ver nos comportamentos das crianças a consequência e o resultado de nossas próprias ações.

Termino me dando conta da quantidade de crianças vivendo em minha memória e como várias delas surgiram com seus rostos reais em tantos contextos pelo mundo enquanto escrevia. E quanta emoção estas lembranças me trazem e quanto sou grata a meus filhos por terem partilhado este meu percurso com generosidade.