revista Carta Capital - outubro 2014
domingo, julho 05, 2020
A tela e o desenvolvimento humano – Elvira Souza Lima
revista Carta Capital - outubro 2014
domingo, março 26, 2017
Atenção e Distração por Elvira Souza Lima
"Fazer com que os alunos prestem atenção em sala de aula é um desafio comum a muitos professores, nos vários níveis de ensino. Entender o funcionamento da atenção, assim como identificar as razões pelas quais acontece a distração, tem sido um dos campos de estudo da neurociência. Consideramos, hoje, importante compreender a dinâmica da atenção pela contribuição que tal conhecimento traz à docência. E, também, para não se incorrer em diagnósticos equivocados de déficit de atenção e hiperatividade."
Elvira Souza Lima
Revista Presença Pedagógica n.96
novembro / dezembro 2010
quinta-feira, junho 16, 2016
Elvira Souza Lima - Memória - Todos Podem Aprender a Ler e a Escrever
terça-feira, dezembro 28, 2010
Atenção e Distração por Elvira Souza Lima
quinta-feira, julho 22, 2010
Cérebro humano e educação hoje: entrevista com Elvira Souza Lima

Leitores de telas
por Rosangela Guerra
Nem sempre o frescor da juventude consegue apagar as marcas das urgências do dia em que quase tudo “é para ontem”. Muitos trabalham como operadores de telemarketing. Eles contam que, para executar o serviço, abrem em média cerca de cinco telas de computador para atender a cada cliente, que não raro têm reclamações de sobra para fazer. “Pois não, senhora!”, dizem automaticamente, já sabendo que as ligações são gravadas.
O fato de cursarem a faculdade é motivo de orgulho. Afinal, são os primeiros de suas famílias a chegarem ao Ensino Superior. Navegantes do espaço virtual, frequentam diversas comunidades, publicam suas opiniões em blogs e exercem a síntese nos 140 caracteres do Twitter. Fazem tudo isso ao mesmo tempo e, muitas vezes, durante as aulas.
Essa atenção dispersa entre aqui e ali é considerada uma habilidade natural da juventude de hoje. Mas será que os neurônios aguentam esse jeito de viver? A educadora e pesquisadora em neurociência Elvira Souza Lima, entrevistada nesta edição, responde que, muito provavelmente, esta não é a forma necessária para a aprendizagem dos conhecimentos escolares.
Uma conversa com Elvira sobre neurociência e educação pode ir longe, para proveito dos professores. Por esse motivo, convidamos a pesquisadora para escrever uma série de artigos sobre o tema, que passará a ser publicada em Presença Pedagógica.
domingo, maio 30, 2010
Memória e Atenção
Elvira Souza Lima
ATENÇÃO (1)
Vamos discutir a atenção a partir de três perguntas:
1. Como acontece a atenção?
A atenção acontece, em parte, pela capacidade que o ser humano tem de regular a sua percepção, eliminando alguns estímulos para se concentrar em outros. Ou seja, a atenção é consequência de um processo de escolha, voluntária ou involuntária, entre diferentes possibilidades da percepção. A percepção é realizada por um ou mais órgãos dos sentidos.
Segundo as pesquisas da neurociência, a atenção acontece pela formação de redes neuronais responsáveis pelos estados de alerta, de foco e concentração e, finalmente, de atenção executiva. Esta última é condição para as aprendizagens escolares.
Atenção é um processo que se constitui pela integração de fatores biológicos e culturais. A atenção é modulada, também, pelas emoções.
2. Qual é o papel da atenção na aprendizagem?
Sem atenção não há formação de memórias e sem formação de memórias não há aprendizagem dos conhecimentos escolares. No cérebro, há três níveis de formação do comportamento de atenção (Izquierdo, 2002; Gazzaniga, 1998; Larry, 2003):
a) O estado de alerta;
b) O foco e a concentração;
c) A atenção executiva.
O estado de alerta é condição inicial para a concentração em um tema de estudo. O planejamento do professor e a adequação da tarefa ao período de desenvolvimento do aluno são fatores que influenciam o estado de alerta. Além desse primeiro momento, a atividade proposta deve levar, pela motivação, ao engajamento do aluno com o conhecimento. O professor depende da manutenção da atenção do aluno para que a aprendizagem aconteça. Com a manutenção da atenção, chega-se ao foco e, daí, à concentração. Deste nível, o aluno pode se engajar nos processos da atenção executiva em que relações são feitas (em nível neuronal), o que levaria à formação de memórias.
3. Existem maneiras de estimular a atenção?
Comportamentos de atenção se formam desde a educação infantil e, para tanto, precisam fazer parte do currículo. Prestar atenção, focar, manter-se atento, utilizar estratégias que facilitam a atenção são comportamentos que podem (e devem) ser ensinados e praticados com as crianças desde cedo.
A cultura é muito importante na infância para a formação de comportamentos de atenção, uma vez que as práticas culturais da infância exigem, exercitam e qualificam os estados de atenção. As brincadeiras infantis, a música, o desenho e a dramatização são situações próprias do desenvolvimento infantil que têm como característica central a mobilização e a permanência de estados de alerta e de foco da atenção.
As artes, mais antigas que as práticas pedagógicas escolares, têm em sua própria essência a condição de formar estados de atenção, pois sem eles não se toca instrumento, não se dança, não se desenha, não se compõe música.
Dessa forma, a atenção necessária para que os alunos aprendam resulta de uma proposta curricular que tenha como objetivo trabalhar não somente os conhecimentos formais, mas também as formas de atividade humana que permitem ao ser humano aprender tais conhecimentos.
(1) em Atenção e Desatenção, da autora.