Mostrando postagens com marcador Desenho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desenho. Mostrar todas as postagens

domingo, maio 15, 2022

COMO SE ANALISA O DESENHO INFANTIL? Ebook + Palestra para compreender os desenhos das crianças

 



Neste evento você receberá um ebook com 11 artigos nos quais são comentados desenhos de crianças de culturas diversas, autista e em situações diversificadas, 

Você participará da palestra sobre o desenho infantil em uma perspectiva interdisciplinar e sobre o ebook.

Questões que serão abordadas:
Quais os indicadores para analisar os desenhos das  crianças ? 
O que o desenho revela?
O que se espera do desenho das  crianças a cada idade?
O que podemos desenvolver na criança com a prática do desenho?


informações e inscrição AQUI



quinta-feira, janeiro 20, 2022

HISTÓRIAS DA NATUREZA


 


Para que a criança exercite a imaginação, desenvolva o pensamento estético e ative as áreas de compreensão da escrita e, também, da leitura. Isto através de histórias que têm como foco o conhecimento e o respeito à natureza. E, também, valores humanos como o cuidado com o outro e a empatia. As histórias podem ser contadas pela professora ou por familiares, podem ser ouvidas em DVD narradas por atrizes ou podem ser lidas pela criança. 

Livro e DVD são vendidos pela livros@editorainteralia.com

Também podem ser adquiridos para utilização em sala de aula, como parte de atividades para casa

segunda-feira, julho 01, 2019

Neurociência na educação infantil: o significado do ato de desenhar

Elvira Souza Lima 
Marcelo Guimarães Lima




Resumo

Neste artigo apresentamos uma possibilidade de utilização da neurociência para a reflexão sobre um componente curricular, o desenho. Situamos o desenho como capacidade que surge na evolução da espécie humana, discutimos a predisposição genética para o traçado dos elementos básicos do desenho (ponto, linha, reta, ângulos e círculo) e como, a partir daí, o traçado evolui na criança pequena com o despontar da narrativa visual nas idades da Educação Infantil e, finalmente, a intervenção educacional que permite o pleno desenvolvimento da narrativa visual na criança pequena.  Apontamos a relevância de a neurociência ser incluída na formação do educador para que a escola garanta tempo e contexto para que a criança possa exercitar continuamente o ato de desenhar, desenvolvendo a imaginação e formando memórias. Partindo da neurociência e a necessária intersecção desta com a antropologia, e considerando as artes e o sentido estético, foi elaborada uma base teórico-prática para desenvolver um currículo para a Educação Infantil, adequado ao desenvolvimento da criança pequena: Viver a Infância (LIMA, 2005).  Nele, o desenho se insere como prática diária, dada a sua potencialidade como sistema expressivo da espécie e por constituir a identidade da criança, além de sua participação na apropriação da escrita e sua utilidade na aquisição de conhecimentos escolares das diversas várias áreas. Integrada a esta proposta, há o currículo de formação continuada para o professor, incluindo neurociência e as dimensões antropológicas e semióticas da produção de desenhos. Os desenhos aqui apresentados foram realizados por crianças da Escola de Educação Infantil de Guarani, pela equipe de professoras sob a coordenação de Heliana Bellotti e docência das professoras da equipe1e da professora Fabiana Alfim, da Rede Municipal de São Paulo, em uma escola de periferia. Eles são exemplos claros do potencial das crianças pequenas para realizar complexas narrativas visuais, quando se opta por incluir a perspectiva da neurociência no currículo e na formação dos educadores.

http://www.fumec.br/revistas/paideia/article/view/7100

REVISTA PAIDÉIA
Paidéia, ano 13, n.20, janeiro/junho de 2019
ISSN 1676-9627 (Impressa)
ISSN 2316-9605 (On-line)
Universidade FUMEC
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde.

sexta-feira, agosto 05, 2016

Traçados e Sentidos - Do desenho à letra cursiva com Elvira Souza Lima, 27 de agosto, SP


Traçados e Sentidos -
do desenho à letra cursiva
com Elvira Souza Lima

Dia: 27 de agosto
Local: Espaço Harmonia,
Antonio Camardo, 743, Tatuapé
São Paulo, SP
Horário: 9h às 12h

Valor da ação de formação: R$100,00
R$ 90,00 para  individual com pagamento até 10 de agosto
Desconto de   5% para grupos de  5 pessoas da mesma instituição
Desconto de 10% para grupos de 10 pessoas da mesma instituição

FAÇA SUA INSCRICÃO AQUI





sexta-feira, outubro 15, 2010

Entrevista de Elvira Souza Lima para a jornalista Paula Caires (Outubro de 2009)

Entrevista concedida à Paula Caires (Revista Projetos Escolares Educação Infantil - Online Editora) em Outubro de 2009

Pergunta - Quais as principais diferenças do cérebro das crianças de 4, 5 e 6 anos de idade? Como funciona a memória da criança e quais seus níveis? Como desenvolvê-la e estimulá-la em seus diferentes graus com as crianças dessas idades?

Elvira Souza Lima - É importante entender que o desenvolvimento do ser humano acontece por períodos de tempo que não são divididos segundo anos cronológicos. Os períodos na infância acontecem em tempo maiores como cerca de 3 anos. Assim as crianças de 4, 5 e 6 anos pertencem a um período de desenvolvimento, no qual acontecem processos, como por exemplo, o desenvolvimento da função simbólica e a formação das figuras geométricas. A maturação do cérebro é progressiva e possibilita a ampliação de processos mentais, perícia do movimento, evolução da fala, por exemplo.

Ao longo deste processo a criança desenvolve a memória, criando acervos de experiências, imagens, sons de acordo com sua experimentação e ação nos contextos em que vive. Com o desenvolvimento da memória a criança também cria acervos para imaginar. A imaginação precisa ser desenvolvida na infância. Brincar, desenhar, cantar, dançar, ouvir histórias, representar no faz de conta são atividades essenciais para o desenvolvimento da criança neste período


Pergunta - Você diz que o desenvolvimento é função da cultura. Poderia explicar?

Elvira Souza Lima - Na verdade esta não é uma ideia recente, mas que tem sido comprovada recentemente com o avanço dos estudos e pesquisas sobre o cérebro humano. O conhecimento sobre o desenvolvimento na infância nos traz a necessidade de ver a criança como ser de cultura , pertencente à espécie humana: daí a importância de integrar os conhecimentos da Neurociência, da antropologia e das artes para que, desta integração, se retire um modelo de pensamento mais adequado para se abordar a infância.

A neurociência, principalmente, vem revelando a infância como um período de relevância para a formação humana, configurando, assim, uma nova dimensão da educação infantil. A escola para educação infantil é um espaço de formação humana das novas gerações, garantindo a continuidade da espécie e a integração das experiências culturais com as possibilidades tecnológicas da sociedade contemporânea.


Pergunta - Há diferenças nas formas de estímulos para cada idade? Se sim, quais?

Elvira Souza Lima - Sim, o que propiciamos à criança pequena deve ser adequado ao seu período de desenvolvimento. Por exemplo, desenhar é uma atividade fundamental dos 3 aos 6 anos. Ouvir músicas, cantarolar, dançar e cantar, experimentar sons, ouvir com atenção sons da natureza, por exemplo, são atividades importantes nos primeiros anos da infância. Propiciar estas experiências à criança significa, muitas vezes, criar condições para que ela faça isto, dar tempo a ela para realizar estas atividades e prosseguir nelas conforme desejar. Muitas vezes o adulto se preocupa muito em estimular a criança e não dá a ela o tempo necessário para que ela realize atividades em seu próprio tempo. O tempo de exploração dos objetos, de observação, de envolvimento com uma atividade depende do período de desenvolvimento. aprendemos muito observando a própria criança: ela nos ensina, também, como e durante quanto tempo ela se dedica a uma atividade.

Pergunta - Qual o papel das brincadeiras nesse processo? Quais brincadeiras você indicaria pela riqueza de recursos que oferece ao cérebro?

Elvira Souza Lima - Cada brincadeira mobiliza o cérebro da criança segundo os componentes de movimento, oralidade, ritmo, rima, sequência. Cada brincadeira promove o desenvolvimento de movimentos determinados do corpo, de sonorizações e linhas melódicas. Cada brincadeira apresenta, portanto, especificidades. A criança precisa realizar brincadeiras de movimento: andar, correr, saltar. Brincadeiras circulares como as brincadeiras de roda, cantadas ou declamadas. Brincadeiras que desenvolvem a percepção sonora e/ou visual. Brincadeiras que envolvem parlendas e quadrinhas. Todas as brincadeiras do folklore e as brincadeiras universais oferecem riqueza de experiências e oportunidades para a criança e atuam, também, no desenvolvimento da imaginação


Pergunta - Os contos infantis assumem essa mesma função? Se não, qual o papel também dos contos infantis?

Elvira Souza Lima - Os contos infantis tradicionais passaram de história oral para a escrita. Ou seja, uma tradição oral de séculos, por vezes, foram registradas em algumas culturas e a partir daí permaneceram como acervos para muitas gerações. Muitas histórias foram perpetuadas também pelas dramatizações, tanto com personagens como com bonecos (marionetes de muitos tipos diferentes). Mais recentemente estas histórias passaram a ser re-elaboradas em várias formas de mídia: filmes, animações, novelas e seriados, dramatizações teatrais, desenhos animado. Hoje as crianças têm várias fontes para a experiência com as histórias. Esta tradição gerou, também, a produção específica de literatura infantil e que tomou uma proporção inédita e importante nas últimas décadas.

História, contos, lendas e fábulas têm um papel importante na formação da criança e no desenvolvimento da memória e imaginação. Eles atuam na formação da estrutura da narrativa na memória, que proporciona muitos subsídios para desenvolvimento e aprendizagens posteriores, dentre as quais destacamos a apropriação da escrita e a atividade criativa da mente humana.


Pergunta - Qual a importância e o papel da música nesse processo de estímulo e desenvolvimento infantil?

Elvira Souza Lima - O papel da música é enorme, conforme constatado pelas pesquisas na àrea de neurociência. Sabemos disto, também, através da antropologia, que nos mostra o papel central que a música tem na organização dos grupos sociais. Na verdade, a história da evolução da espécie humana deixa bem claro que a música foi um dos fatores fundamentais de desenvolvimento da espécie, presente antes mesmo da fala. Para a criança, a música é fator de humanização, de congregação com os adultos e com as crianças mais velhas. Tem um papel na identidade cultural e é fator decisivo no desenvolvimento da função simbólica da criança.


Pergunta - Há diferenças de funções conforme o tipo de música trabalhada (diferentes ritmos, só cantada ou acompanhada de instrumento...)?

Elvira Souza Lima - Os diferentes ritmos, tonalidades, harmonização afetam diferentemente o cérebro. Da mesma maneira vocalizes e canto apresentam particularidades em relação à música instrumental no processamento pelo cérebro. Instrumentos e vozes apresentam um impacto no cérebro quando executadas conjuntamente que difere quando somente instrumento ou somente voz chegam ao cérebro. Porém, é importante salientar que todas as formas de música têm um impacto muito grande, como mostram as pesquisas mais recentes sobre música e cérebro. Também estas pesquisas revelam que os efeitos variam conforme a idade da pessoa. Certo é que para a criança pequena, a experiÊncia com a música cotidianamente traz impactos duradouros sobre o desenvolvimento infantil. Por isto a música deve estar presente em casa e na escola.

Pergunta - O que o processo de alfabetização deve priorizar para ser bem sucedido, independentemente da linha pedagógica seguida?

Elvira Souza Lima - Com certeza o desenvolvimento da função simbólica. A formação na memória das letras, sílabas e palavras e, fundamentalmente, as estruturas da sintaxe. A sintaxe, envolvendo o verbo de ação, principalmente, é eixo da aprendizagem da escrita e da leitura. Independemente do método, se a criança não aprender as dimensões da lingua escrita (sintaxe, semântica, léxico, fonologia e morfologia) não dominará a escrita. Qualquer método precisa atender à formação na memória dos conceitos de letra, sílaba, palavra, frase e texto.

Pergunta - Existe uma idade certa para dar início ao processo de alfabetização formal? Existe uma idade limite para que a alfabetização esteja concluída?

Elvira Souza Lima - Apropriar-se da língua escrita, sendo capaz de ler e de escrever uma língua é um processo bem longo. A escrita é muito complexa e tem vários níveis de apropriação: compreender poesia, escrever poesias, escrever um conto tem suas especificidades. Escrever um relatório científico tem outras. Um texto jurídico, outras. Assim, pode-se ir pela vida toda aperfeiçoando e expandindo a compreensão na leitura e capacidade na escrita.

Porém, toda criança com 3 anos de escolarização tem a possibilidade de ler compreendendo (ler é compreender) e de escrever textos de algumas linhas (5 a 7 no mínimo) com a sintaxe básica, com correção fonológia e ortográfica e utilizando palavras corretamente. Isto depende de ensino e prática cotidiana. Do ponto de vista do desenvolvimento, isto pode ser feito a partir do período de 6 a 8 anos.

Pergunta -Você defende a organização do currículo escolar por ciclos de aprendizagem. O que seriam e como funcionariam?

Elvira Souza Lima - Seria melhor pensar na organização curricular segundo os períodos de desenvolvimento humano, que em muitas prefeituras espalhadas por todo Brasil são denominados de ciclos de aprendizagem. A aprendizagem dos conteúdos escolares se apoia nos períodos de desenvolvimento. Não adianta querer adiantar certas aprendizagens na escola para as quais a criança depende da formação de estruturas no cérebro, estruturas estas que são formadas segundo condições próprias da espécie.


Pergunta - O que poderia ser dispensado das aulas pelo fato das crianças já trazerem consigo naturalmente?

Elvira Souza Lima - Desenhar as figuras geométricas, aprender as cores que estão em seu contexto, nomeá-las são coisas que fazem parte do desenvolvimento humano. Cantar, também. Temos várias aquisições na própria genética da espécie. A escola deve aproveitar estas características do desenvolvimento infantil para ampliar a experiência da criança em cada uma delas.

Por exemplo, trabalhar com as figuras geométricas para construir formas como com o tangran, fazer maquete de algum local como a escola ou o bairro ou ainda sobre o movimento dos astros são atividades escolares, que a criança só fará se for ensinada e orientada. Desta forma, o currículo deve partir do desenvolvimento humano , sempre com a preocupação de desenvolver a imaginação

Pergunta - Até que ponto a televisão e a internet ajudam ou atrapalham no processo de desenvolvimento da criança? Por favor, explique.

Elvira Souza Lima - Televisão e computador não podem extrapolar um tempo diário de uma a duas horas na vida da criança pequena. Em muito países a recomendação é de uma hora diária a partir dos 3 anos e alguns recomendam que a criança de até 2 anos não seja exposta a nenhum dos dois. Isto decorre de pesquisas sobre o desenvolvimento biológico e cultural da primeira infância, incluindo-se aí as pesquisas sobre o processo de maturação e desenvolvimento do cérebro infantil

Pergunta - O défict de atenção e a hiperatividade podem ter relação com a influência desses meios na vida das crianças ou esses trantornos da aprendizagem estão relacionados à condição genética da pessoa? Por favor, explique.

Elvira Souza Lima - Há um equívoco muito grande atualmente em considerar comportamentos normais das crianças como déficit de atenção e hiperatividade. Como consequência temos muitas crianças sendo medicadas erroneamente, com prejuízos imediatos sobre seu processo de desenvolvimento. Os comportamentos identificados como de hiperatividade e déficit de atenção são decorrentes, muitas vezes, dos contextos em que a criança vive, que oferecem poucas oportunidades para que a criança exerça o que é próprio da infância, sendo o brincar um dos mais importantes.


segunda-feira, julho 26, 2010

Permitir que a criança viva a sua infância por Elvira Souza Lima

Podemos iniciar nossa conversa dizendo que toda criança tem direito a viver sua infância. Nesse período, a criança realiza inúmeras aprendizagens que servirão para toda a vida. Muitas delas se efetivam por meio de práticas culturais, que, por sua vez, desempenham papel central, e cabe não apenas à família, mas a vários setores da sociedade, garantir sua presença na vida das crianças.

Em seus primeiros anos de vida, a criança obtém duas conquistas importantes: andar e falar. O período que se segue a isso será marcado pelo desenvolvimento da função simbólica (falar, desenhar, imaginar...). As atividades que predominam nesse período são as que envolvem movimento e criação de significados, fazendo com que a criança se desenvolva como um ser de cultura.

E que atividades são essas? Desenhar, brincar de faz-de-conta, realizar brincadeiras infantis que envolvam personagens e ações imitativas, cantar, dançar, ouvir histórias, poesias e narrativas da cultura local. É muito importante para a criança a vivência das práticas culturais de sua comunidade e região, pois a elas estão ligadas a percepção de si mesma como parte de um grupo e a formação de sua identidade. A experiência com imagens e com sons é uma parte importante na educação da criança pequena, por isso toda criança precisa desenhar, cantar, ouvir música e brincar.

Em seu processo de desenvolvimento, a criança pequena desenha muito. Toda criança vai desenhar indo ou não à escola, ou seja, desenhar faz parte de ser criança. É muito importante que os adultos respeitem essa atividade, porque enquanto a criança está desenhando ela está aprendendo muitas coisas. Para nós, adultos, pode parecer que desenho não é uma coisa séria como aprender a escrever, mas é. O domínio da forma desenhada também é uma das bases do desenvolvimento da escrita.

Todo desenho tem uma ação: para a criança tem sempre uma história no desenho que ela faz. O desenho é uma narrativa: mesmo que para o adulto ele pareça uma representação estática, para a criança ele é ativo, dinâmico, tridimensional. Mesmo que a criança não fale nada enquanto estiver desenhando, ela está "pensando" no que desenha. Então, ao desenhar, a criança trabalha com sua imaginação, cria novas imagens, desenvolve sua memória, organiza sua experiência para compreendê-la. O ato de desenhar não é, simplesmente, uma atividade lúdica, ele é, também, ação de conhecimento. O desenho é, pois, parte constitutiva do processo de desenvolvimento da criança.

A música promove a comunicação entre as pessoas, provoca envolvimento emocional entre elas. Cantar, tocar um instrumento, ouvir música são atividades que fazem bem ao ser humano em qualquer idade. Na infância a música é mais importante ainda, pois contribui para o desenvolvimento da criança. As cantigas infantis possibilitam o desenvolvimento da memória auditiva, do ritmo e da melodia, com realizações que estarão envolvidas na apropriação da leitura e da escrita. (leia mais)


leia o texto completo no Portal SESC -SP aqui






terça-feira, outubro 02, 2007

De que cor é o rio Amazonas?

"A pergunta parece banal. A resposta, nem tanto!
— O Rio Amazonas tem várias cores. Elas mudam. Veja só, professora.

Foi com essa observação que um professor indígena me explicou a concepção de cor na sua cultura. Para muitos de nós a cor está no objeto: a maçã é vermelha, a árvore é verde, o céu é azul. Nossa percepção visual, construída com a eletricidade, não inclui as variações da incidência da luz natural sobre os objetos, a natureza, as pessoas.

Ao perguntar para uma criança indígena de seis anos de que cor eram as árvores, ela me respondeu:
— Depende.
— Depende de quê?
— Da hora do dia.

Assim me explicou ela: as árvores são verdes durante o dia, mas azul escuro à noite.
— Eu não havia reparado no rio? - perguntou outra mais velha. — Ele sempre muda de cor."

Elvira Souza Lima: De que cor é o rio Amazonas?

leia no site da Editora Moderna