segunda-feira, novembro 16, 2009

A criança e a educação fundamental de 9 anos (*)

Elvira Souza Lima

Estender a obrigatoriedade do período de escolarização da educação fundamental para 9 anos é uma tendência universal. A matrícula obrigatória da criança com seis anos completos na educação fundamental é um fato bastante comum na educação mundial.

A infância é um período de desenvolvimento da espécie humana, cuja importância vai ficando cada vez mais evidente à medida que avançam os conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro, mais especificamente, sobre a complexidade deste desenvolvimento nos primeiros anos da infância.

As descobertas na área da neurociência já são tão importantes que chegam a afetar a natureza de currículos da educação infantil em alguns países. É o caso, por exemplo, da França, que introduziu um currículo para a infância apoiado em pilares diferenciados dos que nortearam a educação da infância durante a maior parte do século XX. Nesse novo currículo, as práticas culturais da infância ganham relevo e o tempo é distribuído de forma que as atividades que envolvam música e movimento sejam equiparadas em importância às atividades mais especificamente voltadas para a apropriação da leitura e a escrita.

Busca-se, assim, uma escolarização que vise à formação da criança enquanto ser de cultura.

5 ou 6 anos?

As matrículas efetuadas para o 1º ano do ensino fundamental de 9 anos nos vários estados e municípios brasileiros utilizam critérios diferentes quanto à idade das crianças, sendo que em várias localidades são matriculadas crianças que não completaram 6 anos. Nestas situações, encontramos crianças que completarão 6 anos até 31 de março, 30 de junho ou até mesmo em 31 de dezembro.

Identificar as idades reais é importante, pois há diferenças sensíveis no desenvolvimento de uma criança que inicia o primeiro ano com 6 anos completos e aquela que passará parte ou todo o primeiro ano com 5 anos. Diferenças serão encontradas na oralidade, nos processos de atenção, nas formas de percepção, na perícia dos movimentos, no exercício da função simbólica.

O desenho das figuras geométricas e as possibilidades de registro também diferem: a criança de 5 anos exercita o traçado que a criança de 6 anos já realiza com maior perícia. A criança de 5 anos está desenvolvendo processos que já se tornaram aquisição na criança de 6 anos. Dessa forma, o planejamento da ação didática deverá levar em consideração as especificidades de um período da infância em que as etapas do processo de desenvolvimento biológico e cultural demandam situações pedagógicas diferenciadas.

Estruturas para o comportamento presente e estruturas para o comportamento futuro

Sob a perspectiva da neurociência e da teoria cultural-histórica do desenvolvimento humano, a espécie humana se caracteriza pela formação de redes neuronais e pelo desenvolvimento de funções que servem a propósitos do desenvolvimento em um período, ao mesmo tempo em que são base para o desenvolvimento futuro. Por exemplo, a brincadeira de faz-de-conta faz parte do desenvolvimento da função simbólica no período dos 3 aos 6 anos. As aprendizagens necessárias para se apropriar da leitura e da escrita, da linguagem matemática, assim como da física, da química e da música, se apóiam na função simbólica. Ou seja, aprendizagens que serão realizadas nos períodos subseqüentes, dos 7 aos 12 anos, terão tido componentes constituídos no período dos 3 aos 6 anos.

Assim, a brincadeira em suas várias formas e as práticas culturais da infância, que envolvem desenho, música e dança, proporcionarão oportunidades únicas de desenvolvimento e aprendizagens em períodos posteriores. Brinquedos e brincadeiras, músicas e poesias, festas e rituais são oportunidades para o desenvolvimento cultural da criança. A identidade e a possibilidade de se reconhecer no grupo são fatores importantes de confiança em si mesma, gerando iniciativa e autonomia em suas ações.

Muitas das condições que a criança precisa desenvolver para aprender a ler e a escrever, a se apropriar dos conhecimentos da matemática, das ciências, da história e dos outros conteúdos escolares são resultantes das práticas de infância. Assim, a criança “cria” condições de aprendizagem dos conhecimentos escolares através das brincadeiras, da prática cotidiana com a música, das atividades gráficas e de modelagem.

No processo de escolarização, para que a criança efetivamente se aproprie dos conhecimentos escolares ela dependerá do ensino dos conteúdos, do ensino das atividades de estudo e dependerá, também, de um currículo que inclua os conhecimentos formais, isto é, as ciências, as artes e os sistemas simbólicos, como a escrita, a linguagem matemática.

Levanta-se, então, a questão do planejamento. O planejamento precisa atender à diversidade própria da espécie e organizar, assim, o tempo de docência para as atividades centrais e as atividades complementares. O planejamento deve, também, incluir alternativas que poderão ser utilizadas para apoiar a aprendizagem de crianças que apresentem alguma lacuna ou fragmentação durante o processo de apropriação do conhecimento.

O planejamento diferenciado (1) é uma possibilidade para atender tanto as especificidades dos processos de desenvolvimento das crianças de 5, 6 e 7 anos nos anos iniciais, bem como resolver situações de não aprendizagem que ocorrem com freqüência neste período. Outra possibilidade é utilizar este tipo de planejamento para evitar situações em sala de aula que não levem à apropriação do conhecimento formal.

A educação para o mundo contemporâneo requer ênfase em alguns aspectos que não foram tão urgentes em outros tempos. Pensar criativamente é requisito para todos. Conhecimento é necessário, portanto há que haver docência de conteúdos. Estudar é necessário, caso contrário não há possibilidade de formação de memórias de longa duração.

O desafio da escola de hoje é formar a pessoa de hoje e o cidadão para a sociedade das próximas décadas.

(*) Texto original: A criança de 6 anos chega ao ensino fundamental, de Elvira Souza Lima
Inter Alia Comunicação e Cultura, São Paulo. livros@editorainteralia.com
(1) ver Planejamento Diferenciado, de Elvira Souza Lima, pela editora acima.

sexta-feira, agosto 28, 2009

segunda-feira, agosto 10, 2009

Os Pilares da Formação Humana I -entrevista com Elvira Souza Lima

Interativo em Revista- fevereiro/março/abril 2008

O processo educativo é complexo e fortemente marcado pelas variáveis sociais e pedagógicas. Segundo Morin (2001), o objetivo da educação não é o de somente transmitir conhecimento, mas criar um espírito para toda a vida, e ensinar é viver em transformações consigo próprio e com os outros. Para esclarecer melhor esse processo iniciamos, nesta edição, uma série de matérias sobre os cinco pilares que norteiam o processo de formação do ser humano: percepção, memória, atenção, pensamento e imaginação. Quem nos explica, é Elvira Souza Lima, antropóloga, psicóloga e professora na Hofstra University, em Nova Yorque, EUA, e na Universidade de Salamanca, na Espanha. Iniciamos está série pela percepção.


Interativo: O que é percepção? Como acontece a percepção?

Elvira: A percepção é efetuada pelo cérebro a partir de elementos que a ele são transmitidos pelos órgãos dos sentidos externos. Ou seja, é o cérebro que processa as informações gráficas da escrita e o conteúdo de um trecho lido, faz isso a partir das informações que chegam transmitidas pelo órgão do sentido da visão. Cada um dos órgãos dos sentidos tem suas especificidades,porém internarmente um sentido "colabora" com o outro para efetivação da percepção. Assim uma pessoa cega desenvolve o sentido do tato e da audição com uma complexidade e sensibilidade maiores do que uma pessoa que enxerga. Há como que uma compensação interna.



Interativo: Como o cérebro não pode registrar e responder tudo o que se apresenta, a percepção é, de certa forma, seletiva. Quais são os fatores que influenciam nesta seleção? Dê um exemplo de percepção seletiva.

Elvira: A percepção se realiza na espécie principalmente pela mobilização de um dos 5 sentidos. Entre os sentidos há seleção, uma vez que não podemos responder a tudo. Às vezes os sentidos se combinam para uma percepção com mais informações, por exemplo, como prestar atenção ao movimento (visão) e som, Como ao assistirmos um espetáculo de dança. Porém, há flutuações entre prestar mais atenção ao movimento do que à música. No exercício de um mesmo sentido também há seleção: não escutamos todos os sons e ruídos que acontecem simultaneamente, geralmente focamos a atenção em um, às vezes um som pode interferir na percepção de outro. Por vezes nem nos damos conta de que algo mais está soando, se ficarmos absortos em uma peça musical. Os fatores que influenciam ou determinam a percepção são de várias ordens. A experiência pessoal, o contexto cultural, as disposições da pessoa, seus interesses, as pressões sociais, o estado físico, as emoções enfim, o que se percebe e o que se deixa de lado são definidos por um conjunto de elementos. O livre arbítrio também conta: a pessoa toma decisões e pode, dependendo de seu nível de atenção, dirigir a sua própria percepção.


Interativo: O contexto social em que se vive influencia no desenvolvimento da percepção?

Elvira: Com certeza. O desenvolvimento dos órgãos do sentido acontece em função do meio e a cultura influencia muito na formação de padrões perceptivos. O mesmo acontece com as artes: as atividades artísticas dependem de uma educação dos sentidos,ou seja, a arte direciona, qualifica e promove a sofisticação no uso de um sentido. Por exemplo, a música desenvolve a percepção auditiva como o desenho e a pintura desenvolvem a percepção visual. Para o teatro a visão e a audição são de fundamental importância, assim como o é o movimento. Pessoas que vivem na floresta ou em contato com a natureza desenvolvem a percepção visual a níveis de grande complexidade quanto à luz e sombra, enquanto que pessoas que cresceram em ambientes com luz artificial desenvolvem padrões distintos uma vez que geralmente não lidam com a ausência total de luz (a iluminação noturna é uma constante e uma possibilidade sempre a mão, com a luz elétrica) . Como o contexto é central no desenvolvimento da percepção, a responsabilidade das pessoas que educam as crianças e jovens é grande. Seja na escola, na família ou em outra grupo social, a criança depende de incentivos constantes para desenvolver a percepção. As formas de arte como a música, o teatro a dança, o desenho, a pintura são fundamentais na formação da criança. A educação dos sentidos promove a atenção, que garante a percepção e, assim, a ampliação dos acervos de memória; Esses acervos estão presentes em toda vida da pessoa. As aprendizagens escolares dependem da percepção. A partir da percepção se constroem estados de atenção, esses absolutamente necessários para as aprendizagens escolares. A mobilização da percepção na escola depende primordialmente da didática e do currículo.

Os Pilares da Formação Humana II - entrevista com Elvira Souza Lima

Interativo em Revista maio/junho/julho 2008

A segunda matéria sobre os cinco pilares que norteiam a formação humana trata sobre o papel da memória. A antropóloga, psicóloga e professora na Hosfstra University, em Nova Iorque, EUA, e na Universidade de Salamanca, na Espanha, Elvira Souza Lima é quem nos explica sobre esses pilares e aborda a memória como um deles.


Interativo: Existe relação entre memória e experiência?

Elvira: Cada um de nós tem muitas memórias guardadas. Na vida, tudo o que se faz envolve a memória. Nosso cérebro é capaz de formar diferentes tipos de memória a partir das experiências de vida de cada um.

O planejamento e a avaliação de nossos atos também envolve os vários tipos de memória.

Vejamos um exemplo:

Quando a criança brinca, cria novas memórias. Na brincadeira, ela faz seqüências de movimentos coreografados e guarda estas seqüências na memória. Quando brincar novamente, ela vai evocar, vai trazer de volta essas memórias que têm grande permanência no cérebro. Com as brincadeiras, a criança aprende a planejar, antecipar, ouvir, argumentar, tomar decisões.

Forma, assim, estruturas de planejamento que utilizará mais tarde em sua vida; inclusive, para estudar e apreender os conhecimentos escolares.


Interativo: Quais são os tipos de memória?

Elvira: Quanto ao tempo de permanência no cérebro, temos dois tipos: a memória de curta duração e a de longa duração, que determina por quanto tempo o conteúdo ensinado permanece no cérebro.
A memória de curta duração permanece pouco tempo no nosso cérebro. Ela possibilita pensar, planejar e executar uma ação.

As memórias de longa duração têm permanência no cérebro, ficam guardadas e podem ser evocadas.

Para guardar as regras de um jogo, utilizamos a memória de longa duração.
Assim, toda vez que formos jogar uma partida, buscamos na memória de longa duração as regras, ou seja, como se faz, a seqüência do jogo.

Então, para aprender, o aluno precisa mobilizar tanto a memória de curta duração como a de longa duração pois, se mobilizar apenas a de curta duração, não será suficiente.

Quanto à sua natureza, as memórias podem ser explícita, implícita e operacional. A memória explícita pode ser episódica ou semântica. A memória explícita episódica é a memória cronológica, que situa os acontecimentos no tempo. A memória explícita semântica é a dos conteúdos que podem ser explicitados, verbalizados, declarados, daí ela ser, também, chamada de “declarativa”.

À Educação escolar interessam, particularmente, a memória explícita e a operacional


Interativo: Existe uma maneira de o aluno acadêmico aprender a criar novas memórias?

Elvira: As aprendizagens escolares dependem da formação de memórias de longa duração. Essas memórias, por sua vez, dependem da realização de atividades específicas. São as chamadas atividades de estudo. É preciso que estas atividades sejam ensinadas às crianças desde o início do ensino fundamental, porque elas não se formam espontaneamente.

Então, para o professor levar o aluno a formar memórias de longa duração, ele precisa ensinar o conteúdo e as atividades humanas necessárias para se apropriar deste conteúdo. Uma destas atividades é o registro. Registrar é uma atividade de estudo. Para anotar, o aluno precisa observar e decidir o que vai registrar. Com isso, ele foca atenção e se concentra. Atenção e concentração são condições necessárias para formar novas memórias. O registro tanto ajuda a formar memórias, como é útil para evocá-las posteriormente; ele foca atenção e se concentra.

Quando a professora pedir novamente uma atividade de registro, a criança já vai conhecer a metodologia. É uma memória que fica disponível para ser evocada à ação em qualquer situação escolar.
Um aluno que aprende a estudar nos primeiros anos da educação fundamental, aprende a planejar ou a trabalhar com o conhecimento e com as fontes de conhecimento. Ele terá autonomia como estudante, saberá orientar sua atenção em sala de aula.


Interativo: Como a memória é constituida?

Elvira: Para que se criem novas memórias, é necessário, primeiramente, atenção.

Sem atenção, ou os órgãos dos sentidos não enviam imagens e informações para o cérebro, para serem processadas, ou o cérebro falha em processar o que chega, em virtude da dispersão.
Quando o aluno não presta atenção, ele não forma memórias dos conteúdos que são ensinados.

As aprendizagens escolares dependem da atenção e da formação de memórias de longa duração. Quando o planejamento do professor mobilizar somente a memória de curta duração, o aluno usará apenas esse tipo de memória, e vai esquecer rapidamente o que o professor ensinou. Por isto, acontece o fato de um aluno fazer uma atividade em sala de aula e dois dias depois não só não consegue fazer , como parece que nunca viu o conteúdo. Não é somente o currículo que leva à formação de memórias; o aluno precisa ser ensinado e precisa praticar as atividades (de estudo) que permitem ao cérebro formar memórias.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Os Pilares da Formação Humana III - entrevista com Elvira Souza Lima

INTERATIVO em Revista - FEMA , Agosto/Setembro/ Outubro 2008

Interativo : Para encerrar essa série de matérias sobre os Pilares da Formação Humana, a antropóloga, psicóloga e professora na Hosfstra University, em Nova Iorque e na Universidade de Salamanca, Elvira Souza Lima aborda a Atenção e o Pensamento.

Atenção

Interativo: Como acontece a atenção?

Elvira: A atenção acontece pela capacidade que o ser humano tem de regular a percepção, eliminando alguns estímulos para chegar a se concentrar em outros. Ou seja, a atenção é conseqüência de um processo de escolha, voluntária ou involuntária, entre diferentes possibilidades da percepção realizada por um ou mais órgãos dos sentidos. Segundo as pesquisas da neurociência, a atenção acontece pela formação de redes neuronais responsáveis pelos estados de alerta, de foco e concentração e, finalmente, de atenção chamada de atenção executiva. Esta última é condição para as aprendizagens escolares.
Atenção é um processo que se constitui pela integração de fatores biológicos e culturais.

Interativo: Qual o seu papel e função na aprendizagem?

Elvira: Sem atenção não há formação de memórias e sem formação de memórias não há aprendizagem dos conhecimentos escolares. É um modo um pouco simplista de colocar a questão, mas é aproximadamente desta forma que as coisas acontecem. O estado de alerta é condição inicial para a concentração em um tema de estudo; desta forma, o planejamento do professor e a adequação da tarefa ao período de desenvolvimento do aluno são
fatores que provocam (ou não) o estado de alerta. Além deste primeiro momento, a atividade proposta deve levar, pela motivação, ao engajamento do aluno com o conhecimento. O professor depende da manutenção da atenção para que a aprendizagem aconteça. É importante destacar que a atenção se educa, se forma como comportamento. A atenção necessária para a aprendizagem dos conhecimentos escolares precisa fazer parte, portanto, dos objetivos curriculares.

Interativo: Existem maneiras de estimular a atenção?

Elvira: Comportamentos de atenção se formam desde a educação infantil, uma vez que isto esteja estabelecido no currículo. Prestar atenção, focar, manter-se atento, utilizar estratégias que facilitam a atenção são comportamentos que podem (e devem) ser ensinados e praticados com as crianças desde cedo.
Na verdade, a cultura é muito importante na infância para a atenção, uma vez que as práticas culturais da infância exigem, exercitam e qualificam os estados de atenção. As brincadeiras infantis, a música, o desenho, a dramatização são situações próprias do desenvolvimento infantil que têm como característica central a mobilização e permanência de estados de alerta e de foco da atenção.
As artes, mais antigas que as práticas pedagógicas escolares, têm em sua própria essência a condição de formar estados de atenção, pois sem eles não se toca instrumento, não se dança, não se desenha, não se compõe música. E assim por diante.
Desta forma, a atenção necessária para que os alunos aprendam resulta de uma proposta curricular que tem como objetivo trabalhar não somente com conhecimentos formais, mas também com as formas de atividade
humana que permitem ao ser humano aprender tais conhecimentos.

Pensamento

Interativo: Como o pensamento é constituído? Qual a função do pensamento no processo de aprendizagem?

Elvira: O pensamento é constituído pelo desenvolvimento de processos internos do próprio cérebro. Os processos internos são resultados, também, das experiências de cada um com o mundo físico, químico e cultural que constituem os contextos em que vivem as pessoas.
O processo de escolarização traz conseqüências importantes ao pensamento, por trabalhar com categorias, por organizar informações, por criar e organizar memórias em sistemas. Este é um processo dialético, pois à medida que se organizam os conhecimentos em sistemas, que se formam conceitos, a pessoa vai tendo maior amplitude para tratar com várias informações ao mesmo tempo e, também, de aprofundar a reflexão em um tema. Assim chega-se, eventualmente, ao processo de criação.
Pensar também é uma coisa que se aprende, que depende de exercício constante e depende, também, de cada um de nós ser ensinado a utilizar as estratégias de que a espécie humana dispõe para trabalhar com símbolos e desenvolver a imaginação.
A escola é um lugar por excelência para se desenvolver a capacidade humana de pensar e de criar.

O desenho no desenvolvimento infantil - entrevista com Elvira Souza Lima



quinta-feira, julho 16, 2009

As aprendizagens escolares na educação infantil -Elvira Souza Lima

A criança pode formar comportamentos na educação infantil que servirão de base às atividades de estudo posteriores

A criança pequena realiza durante o seu desenvolvimento várias atividades de natureza biológica e cultural que criam, de forma natural, suportes para as aprendizagens escolares que acontecerão a partir do ensino nas séries que constituem a educação básica (Lima, 2004, 2007, 2008). Assim, falar em aprendizagens na educação infantil significa falar em desenvolvimento: o desenvolvimento adequado na infância é que possibilitará muitas aprendizagens escolares posteriores. As práticas culturais da infância promovem o desenvolvimento fundamental desse período, como a função simbólica, a percepção, a atenção e a perícia dos movimentos amplos e dos movimentos mais circunscritos das mãos, dos pulsos e dos dedos, estes últimos necessários para escrever.

leia aqui:

Revista Pátio Online
Ano VI - Nº 19 - Para que serve a educação infantil? - Março-Junho 2009




Entrevista de Elvira Souza Lima para a Revista Educação

"A criança é um ser de cultura"

A favor de um trabalho integrado na educação infantil, Elvira Souza Lima diz que a criança está empobrecida e defende um pacto entre adultos pela nova geração. Leia a entrevista  de Elvira Souza Lima, realizada por Juliana Holanda no link:

Revista Educação Infantil n 3

quarta-feira, maio 07, 2008

LER SE APRENDE COM CULTURA

A série LER SE APRENDE COM CULTURA de autoria de Elvira Souza Lima se destina a apoiar os adultos que, de uma forma ou outra, se ocupam da formação da infância e da juventude. Ela apresenta possibilidades de trabalho envolvendo a cultura que, em seu conjunto, mobilizam as várias áreas do cérebro envolvidas no ato de ler.

saiba mais www.editorainteralia.blogspot.com
www.livros107.blogspot.com

domingo, maio 04, 2008

Currículo e Desenvolvimento Humano por Elvira Souza Lima

INDAGAÇÕES SOBRE CURRÍCULO

A publicação Indagações sobre Currículo do MEC tem por objetivo promover a reflexão sobre as concepções de currículo e seus desdobramentos.

Acesse aqui o texto de Elvira Souza Lima: Curriculo e Desenvolvimento Humano (em formato pdf) no site do MEC Indagações sobre Currículo (MEC)




terça-feira, outubro 02, 2007

De que cor é o rio Amazonas?

"A pergunta parece banal. A resposta, nem tanto!
— O Rio Amazonas tem várias cores. Elas mudam. Veja só, professora.

Foi com essa observação que um professor indígena me explicou a concepção de cor na sua cultura. Para muitos de nós a cor está no objeto: a maçã é vermelha, a árvore é verde, o céu é azul. Nossa percepção visual, construída com a eletricidade, não inclui as variações da incidência da luz natural sobre os objetos, a natureza, as pessoas.

Ao perguntar para uma criança indígena de seis anos de que cor eram as árvores, ela me respondeu:
— Depende.
— Depende de quê?
— Da hora do dia.

Assim me explicou ela: as árvores são verdes durante o dia, mas azul escuro à noite.
— Eu não havia reparado no rio? - perguntou outra mais velha. — Ele sempre muda de cor."

Elvira Souza Lima: De que cor é o rio Amazonas?

leia no site da Editora Moderna

terça-feira, agosto 28, 2007

Apropriação da Leitura e da Escrita

(transcrição)

"O que o que nós estamos enfrentando hoje no Brasil,? Nós buscamos universalização da escolaridade e buscamos, então, a universalização da leitura e da escrita, num momento muito particular para o desenvolvimento cultural do ser humano.É a primeira vez na história da humanidade que mudanças muito grandes acontecem dentro de uma mesma geração. As mudanças aconteciam antes muito lentamente reunidas de geração em geração. Nós tivemos um desenvolvimento tecnológico muito grande nos últimos 50 anos e esse desenvolvimento modificou, profundamente, as formas de comunicação humana. E a escola é um espaço de comunicação. É um espaço de comunicação entre adultos e crianças, de comunicação entre várias gerações. Desta forma, mudanças são necessárias nas formas de ensinar, porém, isto não significa que precisemos inventar uma pedagogia absolutamente nova, porque vários aspectos dos processos necessários para a aprendizagem não se modificaram. As atividades de estudo necessárias para a apropriação dos conhecimentos escolares não se modificaram. É muito provável que tenhamos que intensificar mais ainda a utilização de algumas delas para atender às especificidades do desenvolvimento da criança de hoje"



Elvira Souza Lima



trecho transcrito de palestra proferida no Ministério da Educação e Cultura

segunda-feira, agosto 13, 2007

VYGOTSKY , WALLON E O FUTURO DA PSICOLOGIA

Elvira Souza Lima

VYGOTSKY, WALLON E O FUTURO DA PSICOLOGIA.


Interações
, jan-jun, 2000, vol.V n. 009
Universidade São Marcos, São Paulo Brasil pp 49-55

texto disponível em formato pdf pela






Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal Universidad Autónoma de Estado de México (UAEM),

A função antropológica do ensinar










"Quando o professor se percebe como um indivíduo em contínua aprendizagem, ele muda a relação que tem com o saber. Mas não é só isso: ele precisa voltar a ser aluno para aprender a ensinar por outra perspectiva. Em nossos cursos de formação continuada damos ênfase ao resgate das relações estéticas das diversas formas de linguagem, que são um dos sistemas expressivos da emoção humana. Quando o professor tem a experiência de se inter-relacionar com as diversas formas de linguagem, ele muda seu jeito de ensinar. Isso serve para qualquer disciplina e em qualquer lugar, mas é ainda mais importante para o alfabetizador. Em Nova York, leciono História da Escrita. Levo os alunos ao Museu Metropolitan para que percebam a escrita como um produto cultural. Ela está aí há cerca de 5500 anos (antes disso, usavam-se desenhos). A Arqueologia nos mostra que o desenvolvimento não está ligado apenas à sobrevivência, mas é produto também da preocupação do homem em comunicar o belo. Vendo os primeiros instrumentos feitos de ossos, com desenhos e decorações que não tinham uso prático, os professores descobrem a função psicológica da imaginação para a humanidade. Ela é fundamental na aprendizagem, faz parte do aprender e da construção do conhecimento científico e estético, da vida cotidiana. Por isso, tem de ser explorada na educação."

Elvira Souza Lima

trecho de entrevista para a revista
Nova Escola
Edição Dezembro de 2000


http://novaescola.abril.uol.com.br/ed/138_dez00/html/fala_mestre.htm

A Imaginação e a Escola

"As realizações humanas são possibilitadas por nossa capacidade de criação mental. A imaginação está na origem do processo criativo, que permite desde a invenção de objetos rudimentares até a produção de obras de arte de grande valor estético e o progresso científico.

O desenvolvimento da imaginação se realiza por acesso a novas informações, a imagens e a símbolos que elaboramos mentalmente. Isso é resultado de vivências e práticas culturais e da observação e registro da natureza e de fenômenos científicos. Ela depende da experiência e, portanto, se desenvolve com a idade.

A imaginação mobiliza os conhecimentos anteriores por meio do processo de evocação da memória de longa duração. Sua "matéria bruta" é o acervo de idéias, imagens, experiências, vivências emocionais e práticas culturais ali guardadas.

Dentre as funções psicológicas envolvidas no ato de aprender — memória, atenção, percepção, pensamento e imaginação —, esta última é a menos lembrada no processo educacional. Porém, cabe à escola desenvolvê-la por meio de experiências proporcionadas ao aluno. A instituição precisa trazer e desvendar o novo, promovendo aprendizagens que não ocorrem em outros contextos em que o estudante vive."

Elvira Souza Lima

leia mais

Revista Nova Escola Edição Nº 166
Outubro de 2003

http://novaescola.abril.com.br/ed/166_out03/html/com_palavra.htm