segunda-feira, outubro 19, 2020

ESCREVER E LER: O COMPLEXO CAMINHO DA AQUISIÇÃO DA ESCRITA NO CÉREBRO HUMANO - ELVIRA SOUZA LIMA

 

  PALESTRA ONLINE

Como vemos na reportagem publicada ontem, dia 18 de outubro, no jornal o Estado de São Paulo, alfabetizar é um assunto de relevância para toda sociedade. Todos podem aprender a ler e a escrever, mas chegar lá é um grande desafio. Hoje há um grande interesse mundial em saber porquê alguns aprendem e outros não. Para tanto é necessário recorrer às áreas de conhecimento que estudam o ser humano e a escrita, que é exatamente o que faremos nesta palestra-estudo no próximo sábado, Vamos ver qual o caminho para o cérebro chegar à leitura e à escrita.

segunda-feira, outubro 05, 2020

ESCREVER E LER: O COMPLEXO CAMINHO DE AQUISIÇÃO DA ESCRITA NO CÉREBRO HUMANO 24 de outubro de 2020, 10h11h30 palestra online

ELVIRA SOUZA LIMA 





Segundo Maryanne Wolff << existem 17 áreas no cérebro envolvidas no processo de leitura.  Basta algo dar errado em uma delas para que ler não aconteça >>

Em minha palestra-estudo do dia 24 de outubro falarei sobre a complexidade da apropriação do sistema de escrita que uma pessoa possa ler e escrever.  Não há uma constituição genética para ler e escrever.  São aprendizagens culturais.  Portanto precisamos integrar os conhecimentos disponibilizados pelas ciências do cérebro, pela antropologia e arqueologia, pela linguística e pelas artes.  E, naturalmente, pela própria pedagogia.

Todos podem aprender a ler e a escrever?  Quais são as dimensões internas da apropriação da escrita?  Como se encaminha a vivência do bebê para culminar no ato de escrever anos depois?  O que é indispensável formar no cérebro para ler com compreensão?  É bom alfabetizar em duas línguas?  Podemos considerar saber a ler uma ferramenta do pensamento?  O que a história da pedagogia nos ensina sobre a docência da leitura e da escrita através dos tempos?


Aguardo vocês!  

Elvira Souza Lima

Pesquisadora com formação em ciências de cérebro, antropologia, música, psicologia e linguística. Fez doutorado na Sorbonne (Paris, França), pós doutoramento em antropologia e linguística na Stanford University (Palo Alto, California, EUA) centrado em como reverter o fracasso escolar de meninas latinas na quinta série. Estudou no Collège de France Antropologia com Claude Lèvi-Strauss e Neurobiologie de l´Enfant com Julian de Ajuriaguerra. É formada em música com especialização em piano.


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Este evento possui o conforto e a segurança de uma transmissão online via Zoom.us e a experiência com satisfação garantida pela Sympla.


INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES AQUI (LINK)

24 de outubro de 2020, 10h -11h30 
Palestra online

Inscrição R$ 30,00
em até 6x R$ 5,63

Inscrições até 21/10/2020

sábado, setembro 26, 2020

QUAIS SÃO AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS MAIS ADEQUADAS PARA ESTES TEMPOS DE PANDEMIA?

 


03 de outubro de 2020,
10h >11h30
 Evento online


Faça sua inscrição aqui


"Farei uma palestra discutindo a elaboração de atividades escolares durante e após a pandemia. Vou considerar o funcionamento do cérebro, as emoções e o processo de formar memórias  no ensino remoto, híbrido e presencial no contexto de COVID19.  Farei sugestões de adaptações e encadeamentos de conteúdos, utilizando exemplos práticos de escolas brasileiras, bem como de escolas em vários países.  Abordarei os períodos de desenvolvimento dos alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio."


Elvira Souza Lima



ELVIRA SOUZA LIMA - ONLINE - DIA 3 DE OUTUBRO - 10:00 -11:30H

 


 

QUAIS SÃO AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS MAIS ADEQUADAS PARA ESTES TEMPOS DE PANDEMIA?


Faça sua inscrição aqui


"Farei uma palestra discutindo a elaboração de atividades escolares durante e após a pandemia. Vou considerar o funcionamento do cérebro, as emoções e o processo de formar memórias  no ensino remoto, híbrido e presencial no contexto de COVID19.  Farei sugestões de adaptações e encadeamentos de conteúdos, utilizando exemplos práticos de escolas brasileiras, bem como de escolas em vários países.  Abordarei os períodos de desenvolvimento dos alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio."


Elvira Souza Lima

segunda-feira, setembro 21, 2020

ELVIRA SOUZA LIMA - ONLINE - DIA 3 DE OUTUBRO - 10:00 -11:30H

 

QUAIS SÃO AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS MAIS ADEQUADAS PARA ESTES TEMPOS DE PANDEMIA?

 


FAÇA SUA INSCRIÇÃO AQUI

 

 

ELVIRA SOUZA LIMA - PALESTRA ONLINE 03/10/2020

 

QUAIS SÃO AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS MAIS ADEQUADAS PARA ESTES TEMPOS DE PANDEMIA?

Farei uma palestra online discutindo a elaboração de atividades escolares durante e após a pandemia. Vou considerar o funcionamento do cérebro, as emoções e o processo de formar memórias  no ensino remoto, híbrido e presencial no contexto de COVID19.  Farei sugestões de adaptações e encadeamentos de conteúdos, utilizando exemplos práticos de escolas brasileiras, bem como de escolas em vários países.  Abordarei os períodos de desenvolvimento dos alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio. Abro desde já um espaço para perguntas no próprio link do convite.  

 

 

Elvira Souza Lima

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sábado, setembro 19, 2020

Seminário de Produção Cultural Yluaê Odara - Sábado 19 de Setembro – 16 horas

 


O Grupo Entrou Por Uma Porta, através do Edital Cultura nas Redes – Secec- RJ, convida para o Seminário de Produção Cultural Yluaê Odara, visa a construção de núcleo de estudo de cultura e produção cultural virtualmente ( educação a Distancia).Neste estaremos oferecendo um amplo painel de atividades inter-relacionadas com um objetivo dialogar sobre a produção cultural com enfase no audiovisual e cultura de periferia.
 
A integração dos saberes: arte, sociedade, tecnologia e educação em uma experiencia criativa de uma nova humanidade 4.0, que utiliza a intensa disseminação das tecnologias digitais e da internet 4.0, na qual se integram os ambientes virtuais de aprendizagem 4.0, além de recursos tais como wikis, blogs, twiters, soluções que admitem tanto a escrita individual quanto a colaborativa.
 
Sábado 19 de Setembro – 16 horas
 
As Narrativas e o Audiovisual uma construção de Ideias
 
Elvira Souza Lima
Clarice Campos
Sandro Lopes
 
Publicação:

quinta-feira, setembro 17, 2020

Elvira Souza Lima "Quais são as práticas pedagógicas mais adequadas para estes tempos de pandemia?" 3 outubro 2020

 


Elvira Souza Lima

 "Quais são as práticas pedagógicas mais adequadas para estes tempos de pandemia?" 


03 de outubro de 2020,
10h-11h30

taxa de inscrição (única): 30 reais
certificado de participação

informações e inscrição: https://rb.gy/xpcs38

 

 

quinta-feira, agosto 06, 2020

Elvira Souza Lima CULTURA DA ESCOLA e CULTURA DA FAMÍLIA : reflexões em situação de pandemia


Elvira Souza Lima

CULTURA DA ESCOLA e CULTURA DA FAMÍLIA :

reflexões em situação de pandemia

"Nesse momento de grande movimentação em relação a ensino remoto, ensino presencial e ensino à distância, torna-se indispensável discutir e refletir sobre a questão da cultura na educação. Este é um tema ainda pouco discutido e, no entanto, nós precisamos entender melhor o significado do fato da família e da escola serem espaços de cultura, instituições que tem como base a cultura e que são socialmente definidas como espaços de interação entre os seres humanos, os quais assumem nelas papéis historicamente constituídos"

Elvira Souza Lima 

CADERNOS DO CEPAOS 

Agosto 2020

ISSN 2447-889X

Centro de Estudos e Pesquisas Armando de Oliveira Souza









sexta-feira, julho 10, 2020

quarta-feira, julho 08, 2020

domingo, julho 05, 2020

A tela e o desenvolvimento humano – Elvira Souza Lima



Elvira Souza Lima é pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música.


Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na formação humana? São centenas as pesquisa sobre a interação homem e tecnologia. Uma temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela.

Tecnologia e infância combinam?

A exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos não sejam expostas à tela. Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos tecnológicos acabam por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantem a formação de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no espaço. Além, naturalmente, de experiência com os
objetos e pessoas do mundo real.

Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve em função da cultura. O desenvolvimento do cérebro é de natureza biológica e cultural. O cérebro se forma, se desenvolve e amadurece com base na genética da espécie e pelas experiências de vida de cada um. O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar continuamente durante toda a vida do ser humano.

A plasticidade é maior na primeira infância, mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer idade. Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive de sua experiência pessoal, como a perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks). Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os sentidos do tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam próprias da área do córtex visual.

Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em 2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa duração): “O cérebro não é estático, ele é plástico!” Ele responde às mudanças nos contextos em que a pessoa vive ou frequenta. É o que mostra o documentário Em Busca da Memória.

Ao longo da história cultural do ser humano as invenções, aquisições e produções em cada período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças significativas em seu funcionamento.

Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como acontece com a fala. Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para criar significados quando se escreve um texto. Isto acontece precisamente porque, como observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da escrita.


Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu livro Neurônios da Leitura, esclarece que “ um dos efeitos maiores da escolarização é o aumento da capacidade da memória.” Segundo ele “ há ainda modificações anatômicas como é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a ler.”(Dehaene, Neurônios da Leitura, 2012, pg. 227).


A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e e funcionamento do cérebro, porém, não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino, exercício e sistematização para se tornar um cérebro
capaz de ler e de escrever. O cérebro se modifica anatomicamente, mas destas modificações não resultam que ler e escrever se desenvolvam naturalmente como a fala.


A leitura e a escrita precisam ser ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou ideográfica.


Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “boîte aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Esta estrutura possibilita aprender a lidar com o sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e revela que uma invenção cultural impacta e promove modificações no cérebro. É o que acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.


Tecnologia e cérebro


Tecnologia sempre houve na espécie humana: o desenvolvimento tecnológico se realiza pela transmissão cultural em que uma geração passa à seguinte os conhecimentos, metodologias e instrumentos. O extraordinário desenvolvimento da tecnologia do século XX se deu, primeiramente, pela ampliação do acesso à escolarização. E trouxe, como consequência, situações novas não experimentadas pela espécie humana anteriormente, como, por exemplo, o domínio no manejo dos aparatos tecnológicos. Hoje os mais novos, crianças e jovens, aprendem e usam instrumentos tecnológicos com maior destreza do que os adultos. Maior destreza não significa, no entanto, maior conhecimento e maior capacidade de formar conceitos e trabalhar mentalmente com informações das áreas de conhecimento formal.


Daí podemos inferir que novos produtos culturais têm um impacto no cérebro e não poderia ser diferente pois o desenvolvimento do cérebro é função da cultura, incluindo, naturalmente, os contextos contemporâneos disponíveis ao ser humano, presenciais e à distância.






revista Carta Capital - outubro 2014