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sexta-feira, junho 24, 2022

ELVIRA SOUZA LIMA - BULLYING: UMA ANÁLISE SOCIOANTROPOLÓGICA INTEGRADA AO FUNCIONAMENTO BIOLÓGICO e CULTURAL DO CÉREBRO

 


ELVIRA SOUZA LIMA 


BULLYING: UMA ANÁLISE SOCIOANTROPOLÓGICA INTEGRADA 
AO FUNCIONAMENTO BIOLÓGICO e CULTURAL DO CÉREBRO



Neste Encontro vamos analisar as origens do bullying e as características de um comportamento difícil de modificar. Bullying é um processo de raízes culturais. Daí a necessidade de compreensão em um espectro amplo de fatores. Bullying é um processo que forma memórias moduladas pela emoção, daí a persistência dos episódios. É possível modificar comportamentos de bullying pela abordagem de cunho sociológico.







domingo, março 27, 2022

A INADIÁVEL TAREFA: ENSINAR O ALUNO A ESTUDAR DESDE A EDUCAÇÃO INFANTIL ATÉ O ENSINO MÉDIO - ELVIRA SOUZA LIMA

 


A INADIÁVEL TAREFA: ENSINAR O ALUNO A ESTUDAR

DESDE A EDUCAÇÃO INFANTIL ATÉ O ENSINO MÉDIO

02 de abril de 2022, 10h-11h30

Videoconferência via Sympla Streaming - AQUI


Veremos quais são os comportamentos de estudos mais eficazes e como formá-los nos alunos. aprender é preciso formar memórias de longa duração. Memórias de longa duração não se formam automaticamente. Precisam de tempo e de estratégias. Para os conhecimentos escolares, o aluno precisa estudar para formar tais memórias de longa duração. Estudar é um comportamento que se aprende, não temos uma programação genética para ele. Por melhor que seja a docência de um professor, o conhecimento só se forma no cérebro do aluno pelo estudo.

ELVIRA SOUZA LIMA

domingo, março 20, 2022

AS PRÁTICAS ADEQUADAS E NECESSÁRIAS PARA A ALFABETIZAÇÃO SEGUNDO A NEUROCIÊNCIA E A LINGUÍSTICA - ELVIRA SOUZA LIMA

 


ELVIRA SOUZA LIMA

AS PRÁTICAS ADEQUADAS E NECESSÁRIAS PARA A ALFABETIZAÇÃO
SEGUNDO A NEUROCIÊNCIA E A LINGUÍSTICA

26 de março de 2022, 10h-11h30


Elvira Souza Lima

Pesquisadora com formação em ciências de cérebro, antropologia, música, psicologia e linguística. Possui doutorado pela Sorbonne (Paris, França), pós doutoramento em antropologia e linguística na Stanford University (Palo Alto, California, EUA). Estudou no Collège de France Antropologie com Claude Lèvi-Strauss e Neurobiologie de l´Enfant com Julian de Ajuriaguerra. É formada em música e piano.



quarta-feira, março 09, 2022

MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL AO FUNDAMENTAL 1: O QUE PODEMOS APRENDER COM A NEUROCIÊNCIA

 


MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL AO FUNDAMENTAL 1:
O QUE PODEMOS APRENDER COM A NEUROCIÊNCIA

19 de março de 2022, 10h-11h30


Elvira Souza Lima

Pesquisadora com formação em ciências de cérebro, antropologia, música, psicologia e linguística. Fez doutorado na Sorbonne (Paris, França), pós doutoramento em antropologia e linguística na Stanford University (Palo Alto, California, EUA). Estudou no Collège de France Antropologie com Claude Lèvi-Strauss e Neurobiologie de l´Enfant com Julian de Ajuriaguerra. É formada em música e piano.



quinta-feira, outubro 28, 2021

A MENTE CRIADORA E A NEUROBIOLOGIA DA CRIATIVIDADE - 20/11 a 11/12 - 2021 (NOVAS DATAS)

 







Este curso é destinado a todas as pessoas que têm interesse em criatividade e em conhecer como se formam comportamentos de criação. Pesquisas sobre o cérebro nos últimos trinta anos apresentam uma visão nova sobre os processos necessários para que o cérebro so torne uma mente criadora.

Vou falar de cientistas  renomados que têm tratado da criação como um dos componentes fundamentais da vida humana. O que as pesquisas na neurobiologia nos revelam sobre a criatividade? O que as pesquisas sobre Einstein e Mozart nos revelam sobre a mente criadora?

O curso tem 4 aulas online, envio de textos, imagens, documentários e vídeos  que ilustram e complementam os conteúdos apresentados nas aulas.

Elvira Souza Lima

20/11 a 11/12 - 2021 (NOVAS DATAS) 10h-11:30h






domingo, setembro 19, 2021

NEUROBIOLOGIA DA APRENDIZAGEM - curso online com Elvira Souza Lima

 




São 4 encontros aos sábados das 10:00 - 11h30  dias 25 de setembro,  2. 9 e 23 de outubro.

Ação planejada de estudo: textos comentados, podcasts e materiais de apoio. Vou apresentar a neurobiologia da aprendizagem   com detalhamento de neurônios espelhos, circuitos neuronais, plasticidade e o cérebro que se transforma a si mesmo.

Formação de conceitos e teorias na ciências e nas artes na mente da criança e do adolescente.

A função da escrita, do traçado e do desenho na formação de conceitos científicos e nas bases do comportamento artístico

Neurobiologia da criação nas artes e nas ciências: imaginação, emoção, memórias e função simbólica


INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES AQUI

quinta-feira, maio 20, 2021

ELVIRA SOUZA LIMA - A INCRÍVEL AVENTURA DOS PRIMEIROS DOIS ANOS DE VIDA

 


ELVIRA SOUZA LIMA

A INCRÍVEL AVENTURA DOS PRIMEIROS DOIS ANOS DE VIDA


As ciências do cérebro e da mente vão pouco a pouco revelando a vida interior da infância, o que acontece no cérebro do bebê desde a vida intrauterina, chegando a um momento extraordinário em que podemos identificar a verdadeira aventura a que o bebê se lança desde seu nascimento.

É desta aventura que trata este livro. Um estudo sobre os aspectos relevantes da vida humana no primeiro período da infância, considerando a integração da dimensão cultural no desenvolvimento humano. Traz uma narrativa e uma reflexão sobre o cérebro do bebê, sua constituição como ser de cultura. Propõe uma visão integrada das pesquisas do cérebro e da mente, da neurobiologia da criança, da antropologia da infância, da linguística e das artes.





clicar no texto acima para ampliar


SAIBA MAIS AQUI



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quinta-feira, agosto 06, 2020

Elvira Souza Lima CULTURA DA ESCOLA e CULTURA DA FAMÍLIA : reflexões em situação de pandemia


Elvira Souza Lima

CULTURA DA ESCOLA e CULTURA DA FAMÍLIA :

reflexões em situação de pandemia

"Nesse momento de grande movimentação em relação a ensino remoto, ensino presencial e ensino à distância, torna-se indispensável discutir e refletir sobre a questão da cultura na educação. Este é um tema ainda pouco discutido e, no entanto, nós precisamos entender melhor o significado do fato da família e da escola serem espaços de cultura, instituições que tem como base a cultura e que são socialmente definidas como espaços de interação entre os seres humanos, os quais assumem nelas papéis historicamente constituídos"

Elvira Souza Lima 

CADERNOS DO CEPAOS 

Agosto 2020

ISSN 2447-889X

Centro de Estudos e Pesquisas Armando de Oliveira Souza









quarta-feira, julho 08, 2020

Uma conversa sobre pedagogia, ciências da docência e aprendizagem




Uma conversa sobre pedagogia, ciências
da docência e aprendizagem no espaço da escola,
com Elvira Souza Lima e Kátia Chedid
03/07/ 2020


domingo, julho 05, 2020

A tela e o desenvolvimento humano – Elvira Souza Lima



Elvira Souza Lima é pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música.


Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na formação humana? São centenas as pesquisa sobre a interação homem e tecnologia. Uma temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela.

Tecnologia e infância combinam?

A exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos não sejam expostas à tela. Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos tecnológicos acabam por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantem a formação de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no espaço. Além, naturalmente, de experiência com os
objetos e pessoas do mundo real.

Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve em função da cultura. O desenvolvimento do cérebro é de natureza biológica e cultural. O cérebro se forma, se desenvolve e amadurece com base na genética da espécie e pelas experiências de vida de cada um. O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar continuamente durante toda a vida do ser humano.

A plasticidade é maior na primeira infância, mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer idade. Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive de sua experiência pessoal, como a perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks). Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os sentidos do tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam próprias da área do córtex visual.

Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em 2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa duração): “O cérebro não é estático, ele é plástico!” Ele responde às mudanças nos contextos em que a pessoa vive ou frequenta. É o que mostra o documentário Em Busca da Memória.

Ao longo da história cultural do ser humano as invenções, aquisições e produções em cada período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças significativas em seu funcionamento.

Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como acontece com a fala. Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para criar significados quando se escreve um texto. Isto acontece precisamente porque, como observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da escrita.


Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu livro Neurônios da Leitura, esclarece que “ um dos efeitos maiores da escolarização é o aumento da capacidade da memória.” Segundo ele “ há ainda modificações anatômicas como é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a ler.”(Dehaene, Neurônios da Leitura, 2012, pg. 227).


A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e e funcionamento do cérebro, porém, não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino, exercício e sistematização para se tornar um cérebro
capaz de ler e de escrever. O cérebro se modifica anatomicamente, mas destas modificações não resultam que ler e escrever se desenvolvam naturalmente como a fala.


A leitura e a escrita precisam ser ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou ideográfica.


Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “boîte aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Esta estrutura possibilita aprender a lidar com o sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e revela que uma invenção cultural impacta e promove modificações no cérebro. É o que acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.


Tecnologia e cérebro


Tecnologia sempre houve na espécie humana: o desenvolvimento tecnológico se realiza pela transmissão cultural em que uma geração passa à seguinte os conhecimentos, metodologias e instrumentos. O extraordinário desenvolvimento da tecnologia do século XX se deu, primeiramente, pela ampliação do acesso à escolarização. E trouxe, como consequência, situações novas não experimentadas pela espécie humana anteriormente, como, por exemplo, o domínio no manejo dos aparatos tecnológicos. Hoje os mais novos, crianças e jovens, aprendem e usam instrumentos tecnológicos com maior destreza do que os adultos. Maior destreza não significa, no entanto, maior conhecimento e maior capacidade de formar conceitos e trabalhar mentalmente com informações das áreas de conhecimento formal.


Daí podemos inferir que novos produtos culturais têm um impacto no cérebro e não poderia ser diferente pois o desenvolvimento do cérebro é função da cultura, incluindo, naturalmente, os contextos contemporâneos disponíveis ao ser humano, presenciais e à distância.






revista Carta Capital - outubro 2014
































quinta-feira, junho 25, 2020

Elvira Souza Lima - Live no Instagram com Kátia Chedid



Elvira Souza Lima - Live no Instagram com Kátia Chedid

03/07/ 2020, 15:30 - horário de Brasília
INSTAGRAM:

@neurociência_e_educação

@livroselvirasouza

sexta-feira, abril 03, 2020

CÉREBRO EM TEMPOS DE QUARENTENA - ELVIRA SOUZA LIMA

Elvira Souza Lima


Como fica o cérebro nesta situação da quarentena do coronavírus?

O primeiro ponto a considerar, muito importante, é que a pandemia provocou uma ruptura. Muito rapidamente o contexto de vida, interações, rotina e expectativas do futuro imediato foram alterados bruscamente por uma situação nova e desconhecida para a qual a nossa memória não oferece acervos para responder.

Nós compreendemos as coisas e tomamos decisões com a participação de nossas memórias e de nossas emoções. A dificuldade no momento atual, com a pandemia, é que nunca passamos por algo semelhante. As rotinas que regulam nossa vida (família, trabalho, lazer, escola), as prioridades que estabelecemos são apoiadas no script/roteiro do nosso dia a dia e foram, repentinamente, solapadas  e terão que ser constituídas em outros termos.

No cérebro acontece uma descontinuidade química e surge a necessidade de estabelecer outras redes neuronais que deem sustentação à ação.

A reorganização no funcionamento cerebral não é instantânea, não depende somente da vontade ou deliberação. Demanda tempo.

Nós não mudamos de um momento para outro, é sempre um processo de adaptação e modificação, com avanços e retrocessos, processo este que vai definindo o percurso para formar comportamentos necessários para reagir a uma situação nova.

Um aspecto importante é que, no cérebro, haverá uma mobilização do sistema emocional de tal forma que muitas emoções emergirão. Medo é uma delas: medo do novo, medo de ser infectado, medo de que pessoas queridas o sejam e não resistam. Incerteza é outra consequência: não temos indicadores de evolução e possível término desta nova situação, pois não se sabe muito sobre o vírus e sobre as consequências. Incerteza gera insegurança. No cérebro, estes sentimentos acontecem com químicas que são liberadas em situação de estresse e que afetam bastante o estado de espírito e o humor. Então é um momento que precisamos, com certeza, buscar  um equilíbrio com a liberação de químicas que concorrem para o bem estar.

Como fazer para equilibrar ?  Algumas providências simples ajudam. Vejamos:

O cérebro precisa de pausas. Isto significa que precisa de sono, então uma das vertentes principais deste novo momento em que estamos todos imersos é garantir o sono, preservando os olhos da luz das telas de celular  e computador pelo menos uma hora antes de dormir.

O cérebro precisa de pequenos períodos de repouso, 10 a 15 minutos duas a quatro vezes por dia, ao menos.

O cérebro precisa de oxigênio, então práticas de respiração lenta e profunda contribuem bastante, assim como meditação e yoga. Exercícios físicos, que podem ser acompanhados por música, são igualmente importantes, por liberarem químicas que produzem bem estar. 

O cérebro precisa ser “alimentado” pela vivência e práticas culturais que promovem a liberação de químicas positivas, ou seja, aquelas que nos fazem sentir bem.

Nesta situação de ruptura, em que há uma demanda do pensamento crítico e da criatividade para ajudar nosso pensamento, podemos e devemos recorrer às artes.

Das formas de arte, a música é a mais pesquisada pela neurociência. Temos um cérebro musical, ou seja, um cérebro que responde geneticamente à música e por ela é transformado. Todos cantamos, sem precisar estudar música, tanto a escuta como a produção de melodia com nossa voz é uma  característica da espécie, que se manifesta muito cedo no bebê e permanece em todos os períodos de desenvolvimento. A música atua diretamente no sistema emocional, promove o contágio entre as pessoas, sendo assim, também, um fator importante nas interações interpessoais na situação de quarentena.

Ouvir música, assistir a espetáculos musicais na internet, cantar, tocar um instrumento caso se tenha estudado música, dançar (que integra música ao movimento) devem integrar a rotina diária.
Outra atividade das artes cujo impacto no cérebro já tem sido pesquisado é a literatura. São inúmeros os benefícios da leitura de obras de qualidade, mesmo que poucas páginas por dia. A poesia tem um efeito positivo no funcionamento do cérebro, muito além do que livros de autoajuda.

Então este é um momento oportuno para trazer a literatura para o cotidiano, tanto a leitura feita individualmente, como em atividades coletivas em casa. Também podemos criar grupos online voltados para leitura e conversas sobre obras literárias.

É uma ruptura, estamos vivendo uma ruptura, que, dialeticamente,  constitui uma possibilidade de criação de estratégias de humanização. E isto fazemos, também, com diálogos.

sexta-feira, janeiro 31, 2020

Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Escrita e na Leitura - Elvira Souza Lima

 

Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Escrita e na Leitura
Elvira Souza Lima



A proposta é a realização de uma edição de
2000 exemplares para serem distribuídos em
escolas, grupos e organizações sociais que,

como sabemos, tem acesso limitado ou nenhum
acesso à internet. Nestes espaços serão doados
exemplares suficientes para permitir a leitura e
o debate entre pais, professores e integrantes do
grupo em geral.


 A proposta deste livro é apresentar e refletir sobre a situação da população mais atingida pelo chamado “fracasso escolar” e questionar algumas das crenças correntes sobre a inteligência e capacidade para aprender destes alunos.

Não  há  dúvidas  que temos, no Brasil, situações complexas e desafiadoras na educação básica. De um lado, temos o fato de uma quantidade importante de alunos que não chegam a dominar a escrita. Por outro lado, temos o grande avanço das ciências do cérebro sobre como este se organiza para ler e escrever. Já foi demonstrado que a aprendizagem da leitura e da escrita são culturais, ou seja, não há um centro da escrita geneticamente determinado como há para a fala. A neurociência nos possibilita pensar que todos podem aprender a ler e a escrever.

Há cerca de 40 anos presto consultoria para redes de ensino, organizações sociais e edu- cadores em todo o país. Em quase todos os municípios, meu trabalho envolveu interagir diretamente com as crianças que não estavam aprendendo a ler e a escrever. Elas eram indicadas pelos educadores de cada escola e eram, em sua maioria, crianças negras. Em sala de aula, as meninas tendiam a ficarem retraídas e caladas, enquanto que os meninos, em sua maioria, apresentavam reação visível à rejeição e ao fracasso.

Todavia, sempre que intervenções pedagógicas culturalmente  significativas eram feitas, as meninas respondiam muito fortemente de forma positiva. Decidi, então, centrar este livro nas meninas negras. Como pude constatar ao longo destes anos de pesquisas e estudos etnográficos, ao abordar o tema das possibilidades de aprendizagem destas meninas com educadores, a situação de fracasso escolar desaparecia.  Uma vez que se modifique o conceito de “não capazes de aprender” e se introduza uma pedagogia culturalmente relevante, que inclui a história, a literatura e a cultura da população negra, temos a possibilidade concreta que todas aprendam e se desenvolvam.

Tais fatos evidenciados no Brasil estão na linha do que vivenciei nos muito anos vividos nos Estados Unidos com a inclusão de população negra infantil e juvenil nas escolas públicas. Pude constatar na prática como o racismo mina a autoestima e confiança dos alunos e como uma mudança no contexto pode alterar profundamente a crença em si mesmos. Pude testemunhar a mesma coisa no D.C. Family Literacy, programa desenvolvido nas prisões em Washington D.C. Este programa tinha  como objetivo ampliar a experiência dos presos e presas com a escrita, incluindo formá-los contadores de história para receber seus filhos no horário das visitas, utilizando a literatura, autores negros e a cultura negra. De comum a população tinha o fato de terem sido todos, sem exceção, excluídos da escola, quer por expulsão e evasão, quer por múltiplas retenções, sempre considerados como incapazes de aprender.  

Encarregada da avaliação continuada do Programa puder atestar o impacto que este causou, principalmente pela valorização da cultura, da história e da literatura negras. A mudança de percepção de si mesmo foi apontada por todos participantes como o estímulo para voltar a estudar (nos Estados Unidos é possível prosseguir nos estudos enquanto encarcerados).

Tendo acompanhado as famílias em suas comunidades e o desempenho escolar dos filhos, pude constatar a mudança positiva nas crianças e seu crescente sucesso escolar, à medida que o programa avançava. São todas histórias de sucesso e merecem ser divulgadas.

O livro tem como objetivo demonstrar a capacidade de aprender, respeitadas a diversidade e a natureza cultural do desenvolvimento humano.

Elvira  Souza  Lima 


Estes livros serão oferecidos e socializados para leitura e estudo nos seguintes espaços:

educação do campo, Nacional
rede nacional de bibliotecas
comunitárias nas regiões no, ne, s, se
MTST nos estados de sp, rj, ce e no df
escolas públicas de mg, rj e sp
escolas públicas situadas na região do Vale do Aço, mg
escolas públicas situadas na Zona da Mata, mg
escolas situadas nas zonas periféricas e comunidades da cidade do Rio de Janeiro, rj
comunidade da maré, rj
UNAS União dos Moradores de Heliópolis, sp
comunidade de paraisópolis, sp
MSTC  (Movimento Sem Teto do Centro de
São Paulo), sp
MST  Escola Florestan Fernandes e assentamentos,  sp
Geledés,  sp
Fundação Cultural Palmares

Elvira Souza Lima tem doutorado pela Sor-bonne, França e pós-doutorado pela Stanford University, nos Estados Unidos. Com formação multidisciplinar em neurociência, antropologia, psicologia, linguística e mú- sica, desenvolveu  uma abordagem teórica inovadora que integra as dimensões bioló- gica e cultural do desenvolvimento humano que pode ser aplicada à  área de educação, em especial à aprendizagem da escrita.



coisas  international 

O livro, Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Leitura  e na Escrita, é o projeto inaugural de Coisas International, um projeto cultural de Gabriel Lima e Pedro Wirz que busca criar intersecções entre arte, artistas e diferentes campos da cultura e do conhecimento.

@coisas.international

fr +33 6 32 10 03 03
bra   +55 11 98168-5397
si  +55 (11) 98168-5397

Gabriel Lima
Pedro Wirz


como  contribuir 

R$ 270
Doação de 40 livros para escolas e institui- ções socioeducativas  + o nome do contri- buinte nos agradecimentos + 1 livro para o contribuinte

R$ 150
Doação de 20 livros para escolas e institui- ções socioeducativas  + o nome do contri- buinte nos agradecimentos

instruções 

Gabriel Souza da Silva Lima
314.263.198-43
Bradesco
Ag: 007915
Cc: 0000000029073-4


Enviar comprovante pelo Instagram, Whatsapp ou e-mail :

@coisas.international 
gbrlima@gmail.com

(fr) +33 6 32 10 03 03 
(bra) +55 11 98168-5397 
(ch)  +41 78 309 48 68


Alvaro Barrington (arte capa)

Através de mídias diversas como pintura, bordado, fotografia, gravura, Álvaro Barrington, nascido em 1983 em Caracas, Venezue- la, investiga a experiência do tempo e espaço que se traduzem culturalmente, sobretudo explorando tradições transmitidas oralmente durante sua convivência com a avó e as mulheres de sua família em Grenada, onde passou a infância. Tem realizado exposições individuais e projetos colaborativos expressivos desde 2017 em locais como MoMA PS1, New York; Galerie Thaddaeus Ropac, Lon- dres e Sadie Coles HQ, Londres.


breder
 
Design & direção de arte
@breder.co / www.breder.co





segunda-feira, julho 01, 2019

Neurociência na educação infantil: o significado do ato de desenhar

Elvira Souza Lima 
Marcelo Guimarães Lima




Resumo

Neste artigo apresentamos uma possibilidade de utilização da neurociência para a reflexão sobre um componente curricular, o desenho. Situamos o desenho como capacidade que surge na evolução da espécie humana, discutimos a predisposição genética para o traçado dos elementos básicos do desenho (ponto, linha, reta, ângulos e círculo) e como, a partir daí, o traçado evolui na criança pequena com o despontar da narrativa visual nas idades da Educação Infantil e, finalmente, a intervenção educacional que permite o pleno desenvolvimento da narrativa visual na criança pequena.  Apontamos a relevância de a neurociência ser incluída na formação do educador para que a escola garanta tempo e contexto para que a criança possa exercitar continuamente o ato de desenhar, desenvolvendo a imaginação e formando memórias. Partindo da neurociência e a necessária intersecção desta com a antropologia, e considerando as artes e o sentido estético, foi elaborada uma base teórico-prática para desenvolver um currículo para a Educação Infantil, adequado ao desenvolvimento da criança pequena: Viver a Infância (LIMA, 2005).  Nele, o desenho se insere como prática diária, dada a sua potencialidade como sistema expressivo da espécie e por constituir a identidade da criança, além de sua participação na apropriação da escrita e sua utilidade na aquisição de conhecimentos escolares das diversas várias áreas. Integrada a esta proposta, há o currículo de formação continuada para o professor, incluindo neurociência e as dimensões antropológicas e semióticas da produção de desenhos. Os desenhos aqui apresentados foram realizados por crianças da Escola de Educação Infantil de Guarani, pela equipe de professoras sob a coordenação de Heliana Bellotti e docência das professoras da equipe1e da professora Fabiana Alfim, da Rede Municipal de São Paulo, em uma escola de periferia. Eles são exemplos claros do potencial das crianças pequenas para realizar complexas narrativas visuais, quando se opta por incluir a perspectiva da neurociência no currículo e na formação dos educadores.

http://www.fumec.br/revistas/paideia/article/view/7100

REVISTA PAIDÉIA
Paidéia, ano 13, n.20, janeiro/junho de 2019
ISSN 1676-9627 (Impressa)
ISSN 2316-9605 (On-line)
Universidade FUMEC
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde.

Educação, memórias e funcionamento do cérebro Elvira Souza Lima - Revista Paidéia - FUMEC


Resumo

O avanço nas pesquisas do cérebro vivo em funcionamento, possível pela invenção de novos instrumentos de investigação não invasiva, tem trazido uma quantidade muito grande de informações que levantam pontos importantes para a educação formal de crianças, jovens e adultos. Importante destacar que vários conteúdos das pesquisas e teorização pelos neurocientistas não trazem novidades para a pedagogia, que já contempla há séculos várias práticas confirmadas hoje pela neurociência.  Por outro lado, é igualmente importante destacar que a neurociência revela e discute o funcionamento cerebral como um componente importante não somente para a aprendizagem dos alunos, como para a docência. Como exemplo, para abordar a relação simétrica que a neurociência tem com a pedagogia, discuto, neste artigo, a memória do professor a partir dos conhecimentos sobre a memória trazidos pela neurociência. Há muita produção sobre os processos de aprendizagem dos alunos, porém, apesar da relevância, pouco se estuda e pesquisa, ainda, como o cérebro se organiza para ensinar os conhecimentos formais.

ler / baixar:
http://www.fumec.br/revistas/paideia/article/view/7099

REVISTA PAIDÉIA
Paidéia, ano 13, n.20, janeiro/junho de 2019
ISSN 1676-9627 (Impressa)
ISSN 2316-9605 (On-line)
Universidade FUMEC
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde.