sexta-feira, julho 10, 2020

quarta-feira, julho 08, 2020

domingo, julho 05, 2020

A tela e o desenvolvimento humano – Elvira Souza Lima



Elvira Souza Lima é pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música.


Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na formação humana? São centenas as pesquisa sobre a interação homem e tecnologia. Uma temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela.

Tecnologia e infância combinam?

A exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos não sejam expostas à tela. Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos tecnológicos acabam por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantem a formação de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no espaço. Além, naturalmente, de experiência com os
objetos e pessoas do mundo real.

Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve em função da cultura. O desenvolvimento do cérebro é de natureza biológica e cultural. O cérebro se forma, se desenvolve e amadurece com base na genética da espécie e pelas experiências de vida de cada um. O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar continuamente durante toda a vida do ser humano.

A plasticidade é maior na primeira infância, mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer idade. Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive de sua experiência pessoal, como a perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks). Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os sentidos do tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam próprias da área do córtex visual.

Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em 2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa duração): “O cérebro não é estático, ele é plástico!” Ele responde às mudanças nos contextos em que a pessoa vive ou frequenta. É o que mostra o documentário Em Busca da Memória.

Ao longo da história cultural do ser humano as invenções, aquisições e produções em cada período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças significativas em seu funcionamento.

Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como acontece com a fala. Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para criar significados quando se escreve um texto. Isto acontece precisamente porque, como observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da escrita.


Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu livro Neurônios da Leitura, esclarece que “ um dos efeitos maiores da escolarização é o aumento da capacidade da memória.” Segundo ele “ há ainda modificações anatômicas como é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a ler.”(Dehaene, Neurônios da Leitura, 2012, pg. 227).


A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e e funcionamento do cérebro, porém, não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino, exercício e sistematização para se tornar um cérebro
capaz de ler e de escrever. O cérebro se modifica anatomicamente, mas destas modificações não resultam que ler e escrever se desenvolvam naturalmente como a fala.


A leitura e a escrita precisam ser ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou ideográfica.


Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “boîte aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Esta estrutura possibilita aprender a lidar com o sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e revela que uma invenção cultural impacta e promove modificações no cérebro. É o que acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.


Tecnologia e cérebro


Tecnologia sempre houve na espécie humana: o desenvolvimento tecnológico se realiza pela transmissão cultural em que uma geração passa à seguinte os conhecimentos, metodologias e instrumentos. O extraordinário desenvolvimento da tecnologia do século XX se deu, primeiramente, pela ampliação do acesso à escolarização. E trouxe, como consequência, situações novas não experimentadas pela espécie humana anteriormente, como, por exemplo, o domínio no manejo dos aparatos tecnológicos. Hoje os mais novos, crianças e jovens, aprendem e usam instrumentos tecnológicos com maior destreza do que os adultos. Maior destreza não significa, no entanto, maior conhecimento e maior capacidade de formar conceitos e trabalhar mentalmente com informações das áreas de conhecimento formal.


Daí podemos inferir que novos produtos culturais têm um impacto no cérebro e não poderia ser diferente pois o desenvolvimento do cérebro é função da cultura, incluindo, naturalmente, os contextos contemporâneos disponíveis ao ser humano, presenciais e à distância.






revista Carta Capital - outubro 2014
































quinta-feira, junho 25, 2020

Elvira Souza Lima - Live no Instagram com Kátia Chedid



Elvira Souza Lima - Live no Instagram com Kátia Chedid

03/07/ 2020, 15:30 - horário de Brasília
INSTAGRAM:

@neurociência_e_educação

@livroselvirasouza

quinta-feira, junho 04, 2020

CURRÍCULO EMERGENCIAL PARA A EDUCAÇÃO DURANTE E APÓS A PANDEMIA (Junho 2020)

ELVIRA SOUZA LIMA


“(...) A gente não fez outra coisa nos últimos tempos senão despencar. Cair, cair, cair. Então por que estamos grilados? Vamos aproveitar toda a nossa capacidade crítica e criativa para construir paraquedas coloridos. Vamos pensar no espaço não como um lugar confinado, mas como o cosmos onde a gente pode despencar em paraquedas coloridos.”

                                 Ailton Krenak


1. PRESSUPOSTOS

Somos seres sociais, dependemos de ações compartilhadas, de vários tipos de interação com o outro, das pessoas com quem mantemos relacionamento afetivo, bem como precisamos de um contexto cultural que nos dê suporte simbolicamente.
Uma ruptura no tecido social que nos acolhe e nos dá as bases simbólicas de pensamento e instrumentação para ação, acaba por provocar instabilidade no funcionamento do sistema emocional que, por sua vez, pode impactar a saúde do próprio corpo.
Com a atual pandemia, houve uma quebra momentânea no convívio social, afetando os laços de afetos e exercício da empatia pela suspensão de ações de comunicação social direta.  Esta é uma experiência difícil para qualquer pessoa.
Sentimos uma vulnerabilidade física e psicológica, ficamos em quase constante estado de alerta. Nosso cérebro encontra-se acuado. No entanto, a modificação desta realidade não depende de nossa vontade. Temos um inimigo real, do qual ainda não temos proteção, nem sabemos como a situação irá evoluir.
Estamos inquietos, estamos com medo e procuramos navegar no cotidiano afetados por estas emoções, buscando seguir com alguma rotina que nos lembre, de alguma forma, a organização anterior em nosso dia a dia.  A situação de medo e estresse que se instalou gera no cérebro a liberação de substâncias químicas negativas, digamos assim. Precisamos, na verdade, contrabalançar os processos químicos de stress no cérebro com processos químicos que nos fazem sentir bem.
Se não podemos mudar a realidade no momento, podemos modificar nossas reações incluindo atividades benéficas, que liberam substâncias químicas que nos fazem sentir bem e atingem a área de recompensa do cérebro.
A escola se apresenta, nesta situação, como um campo promissor de ação. Ela envolve várias gerações e, por sua própria natureza, implica um espaço cultural de interação humana, ao qual todos retornarão futuramente, mas que por ora funciona à distância,

2. A PEDAGOGIA E A DIDÁTICA

São várias as questões que são e serão levantadas na educação escolar a partir do aparecimento e expansão do coronavírus e a pandemia que se instalou com ele. Estas questões atingirão tanto o grupo de alunos como a equipe gestora e os professores. Novas demandas surgirão, com certeza.
Podemos pensar a curto e médio prazos.
No curto prazo, o aspecto mais discutido tem sido a utilização da educação à distância em substituição ao ensino presencial. E é natural que assim seja e que este tema seja tão discutido, uma vez que não há disponível um conhecimento pedagógico formulado e desenvolvido para o ensino à distância em tempo integral da carga horária, da Educação Infantil ao Ensino Médio. É importante destacar que porcentagem importante das crianças na maioria dos países não tem internet, nem equipamento mínimo necessário para realização de EAD. Portanto, outras formas de docência precisam ser criadas.
No médio prazo seremos chamados a equacionar os valores e comportamentos sociais dos quais, a partir da epidemia, precisaremos nos ocupar na escola, em todos os graus de ensino.
É de grande relevância trazer o fato de que a pedagogia vem sendo revisitada e ressignificada durante a pandemia e, particularmente, a didática.
O coronavírus (e suas surpreendentes consequências) trouxe
a didática para o primeiro plano da cena da educação. Depois de muito tempo centradas na avaliação, as questões do ensino foram colocadas em evidência pelo fechamento das escolas e nas variadas alternativas propostas e desenvolvidas para seguir com a escolarização das crianças e jovens.
DIDÁTICA é um dos componentes da pedagogia, ciência do ensinar com o objetivo de fazer o aluno se apropriar do conhecimento formal: o conteúdo, a metodologia, a aplicabilidade e o desenvolvimento do inconsciente cognitivo.
A didática tem princípios organizadores, método e conceitos como toda ciência. O professor estuda didática para conhecer todas suas dimensões e, a partir daí, formular seu ensino que incorpora a sua experiência (conhecimento pedagógico próprio) constituindo assim um estilo de ensinar.
Quando chamada a atender a demanda posta pelo surgimento do Covid19, a preocupação principal da escola é continuar ensinando para que os alunos não percam a “proximidade com o currículo”. Para fazer face ao problema, foi acionado imediatamente o ensino remoto.

Ensino remoto e ensino à distância

Há uma diferença importante em passar da sala de aula ao ensino online (chamado por alguns de ensino remoto) e realizar ensino à distância. Este último já existe há vários anos e tem um acervo de conhecimentos acumulados, enquanto que a transferência imediata do ensino presencial é inédito. O que ocorreu e continua ocorrendo nos diversos países foi a demanda pouco clara feita aos professores para que ministrassem suas aulas online. Realmente, a situação foi de emergência e não havia de imediato outro caminho. Para países em que o ensino online faz parte da formação dos professores, o fechamento das escolas aconteceu de maneira mais harmoniosa.  O mesmo ocorreu em escolas particulares, principalmente, nos países em desenvolvimento. Isto tem demandado muitos esforços por parte dos professores que, muitas vezes, se frustram e com razão: é um desafio levar crianças a aprender conteúdos formais sem a presença do professor que é quem as guia.
Da mesma forma os pais foram envolvidos neste empenho para dar continuidade ao ensino sem disporem de conhecimento pedagógico, contando apenas com suas próprias memórias de seus anos como alunos. Na percepção da tela plana, de experiência limitada e de comunicação restrita, é difícil achar que se pode reproduzir o tecido social e cultural da sala de aula em casa.
Dentre tantas mensagens que recebi de gravações dos alunos para os professores, creio que a lucidez desta criança traduz com perfeição a complexidade da questão:
“Professora, desculpa te incomodar...mas eu queria falar que não   estou aprendendo nada...a mãe não tem estas manias de ensinar que você tem... a mãe trabalha no restaurante, ela tem manias de fazer comida, não tem as manias de ensinar, eu queria falar isto”
A mensagem gravada por esta criança traduz com clareza o que muitos estão percebendo: ser professora não é uma atividade corriqueira. Ser professor ou professora, em todos os níveis de ensino, é ser um agente cultural de formação humana, é ser um socializador de métodos e conceitos, é participar da narrativa da vida de cada aluno, é conduzir as crianças e os jovens à cidadania, levando-os a se apropriarem dos conhecimentos formais que a humanidade produziu em sua longa caminhada.
Profissão muito prestigiada em vários países e, infelizmente pouco valorizada em muitos outros, o educador foi alçado na presente conjuntura a uma posição de destaque no mundo todo, na medida em que a escola mesma se tornou uma instituição cuja importância foi revelada pelos fatos.
A espécie humana pode aprender muito e muitas coisas na vida cotidiana, na família, na comunidade. Porém os conhecimentos escolares, que são criados e desenvolvidos historicamente, precisam de um mestre que possibilite o caminhar de cada aluno.
Todos dependem do professor. Os cientistas que estão na linha de frente de combate ao coronavírus foram ensinados por professores, o mesmo podemos dizer dos profissionais da saúde. Assim acontece com todas as profissões. O professor garante a continuidade da espécie na transmissão do conhecimento acumulado, levando as novas gerações a continuar o percurso da espécie humana.

3. CURRÍCULO EMERGENCIAL DURANTE E APÓS PANDEMIA

O essencial de um currículo emergencial neste contexto é reestruturar e ampliar as ações educativas que promovam a humanização das novas gerações ao mesmo tempo em que ampliem os conhecimentos dos educadores.
Propomos, assim, apresentar e discutir os componentes principais de um currículo emergencial que atenda ao desenvolvimento humano e à vida social em um momento excepcional de novos desafios para as gerações atuais.
Impõe-se dar mais atenção aos sistemas expressivos, função simbólica, emoção e empatia, favorecer comportamentos criativos e estimular cooperação integrados aos conteúdos das áreas de conhecimento. Além disso, destacamos a formação de comportamentos necessários para as aprendizagens escolares, tais como atividades de estudo, comportamento leitor, metodologia de pesquisa e escrita.
A situação de ensino à distância provocada pela pandemia revelou que muitos alunos não tem autonomia necessária para estudar e tomar decisões a respeito da informação.  Revelou, também, que muitos alunos  não dominam as atividades de estudo e não tem conhecimento sobre  métodos de investigação.
Para a compreensão do momento inédito que vivemos, precisamos de uma fala interna, tanto para o educador como para os alunos, que contenha um acervo amplo de vocabulário, conceitos e instrumentos de pensamento, em que lógica e metáforas se destacam.
Igualmente observamos que não podemos prescindir dos conhecimentos científicos e matemáticos, que conferem ao pensamento possibilidades de aprofundamento das questões e movimentos inovadores para reflexão sobre e atuação no contexto da pandemia e seu impacto na organização social dos povos e de realinhamento dos princípios que regem a vida cotidiana.
Observamos, ainda, que a sensibilidade e a formação estética se destacam como prioridades do momento, uma vez que o impacto das artes na liberação de químicas de bem estar e ativação da área de recompensa do cérebro é crucial para buscar um equilíbrio emocional com diminuição do medo, angústia, ansiedade que a pandemia do Covid19 acarreta.

Pausas e Respiração

O cérebro precisa de pausas.
Isto significa que precisa de sono, então, uma das vertentes principais deste novo momento em que estamos todos imersos é garantir o sono, preservando os olhos e o cérebro da luz das telas de celular e computador pelo menos uma hora antes de dormir.
O cérebro precisa de pequenos períodos de repouso, 10 a 15 minutos, duas a quatro vezes por dia, ao menos. Estes intervalos contribuem para não haver sobrecargas químicas no cérebro, evitando o estresse, que libera cortisol.
Pausas na rotina diária escolar podem ser realizadas com introdução de ações que liberam dopamina e serotonina, como ouvir música instrumental, ouvir música com lírica e cantar junto, cantar música com gestos coreografados, realizar rotinas com movimentos corporais e/ou gestos. A educação física é um componente curricular que pode (e deve) passar a contribuir de forma mais ampla no cotidiano da escola. O movimento em si, como se sabe, é um eixo fundamental de desenvolvimento na espécie humana e tem um impacto considerável no bom funcionamento do cérebro. Em outras palavras, contribui para a saúde mental.
O cérebro precisa de oxigênio, então práticas de respiração lenta e profunda contribuem muito para aliviar tensão e para criar um contexto mental propício à aprendizagem. Será de grande valia introduzir 1 a 3 minutos de exercícios de respiração no início de cada aula, professor e alunos conjuntamente.
Deve-se considerar, também, a introdução de meditação como uma forma de suporte para os professores e gestores.  Na realidade, a formação continuada deverá ampliar sua abrangência incluindo o bem estar dos professores como um dos seus objetivos.

Empatia

A empatia deve ser uma prioridade ao elaborar o currículo. É desejável que ações que requerem agir com empatia sejam incluídas de modo constante, abrangendo as várias áreas de conhecimento.
 Destacamos, entre elas, ouvir o outro, compartilhar, deliberar conjuntamente, olhar para o interlocutor, estabelecer tons de voz acolhedores, manter-se bem humorado, criar gestos significativos que possam ser feitos à distância, programar atividades culturais que oferecem condições e promovem possibilidades de empatia. Muita dentre elas são as atividades culturais com base musical e/ou poética
Criar usos semânticos novos, ou seja, introduzir novas palavras que traduzam aspectos da situação de exceção que vivemos.

Pode-se desenvolver empatia por situações de contágio emocional, como é o caso daquelas que tenham base musical e poética. São exemplos: música, canto coral, jogral, recitação de poemas, cantigas quadrinhas e parlendas, músicas coreografas com gestos e movimentos

                                                                                                                                                                    Retorno à escola

Quando pensamos no retorno à escola há que se considerar que não é um retorno como se houvesse sido apenas um período de afastamento. O retorno não neutralizará os sentimentos experimentados quando do isolamento social, além de que as ameaças continuam e ninguém sabe qual será o comportamento do vírus, portanto as emoções e afetividade terão um papel importante nos meses após o retorno.
Os adultos da escola estarão ainda em situação de risco, portanto, precisam também serem acolhidos e respeitados em seu fazer pedagógico. Necessitarão de atualização constante sobre a evolução da pandemia e, consequentemente, fazer revisões das normas adotadas à medida que saiam novas informações.
Precisarão de suporte emocional mútuo e propostas coletivas de trabalho


4. QUAL EDUCAÇÃO PARA A INFÂNCIA APÓS PANDEMIA?

Será necessário priorizar os sistemas expressivos no currículo, ampliar práticas várias de movimento com o corpo e favorecer situações pedagógicas lúdicas.
Sistemas expressivos são as várias formas de ação humana que tem como base a emoção, entre as quais destacamos a literatura, poesia e a música.
Literatura e cérebro
Muito estudado na última década, o impacto da literatura no funcionamento do cérebro merece ser considerado para elevar a literatura a um patamar de centralidade no currículo escolar desde a educação infantil. É uma das atividades que movimenta diversas áreas abrangendo praticamente todo o cérebro. Por ser uma produção estética, a leitura da obra literária envolve o sistema emocional, a função simbólica e mobiliza a imaginação, tendendo a levar a pessoa a um estado de bem estar. A narrativa na obra literária ativa a narrativa individual do leitor, suas memórias pessoais e as emoções a elas anexadas.
Por mobilizar inúmeras áreas do cérebro localizadas nos diferentes lobos, integrando-as, a leitura de obras de literatura é altamente recomendável.

Música e poesia

A criança em seus primeiros anos de vida se apropria das formas humanas de comunicação, forma-se como um ser de cultura. Desta forma, a escola de educação infantil tem como eixo importante a formação cultural da criança. Com a pandemia, com o retorno à escola, atenção extra deve ser dada à programação de ações que respeitem o afastamento físico mas que, ao mesmo tempo, promovam sentimentos de pertencimento ao grupo. Ouvir histórias e poemas em grupo (mesmo quando sentados à distância) cria um ambiente afetivo, propício à comunicação e partilha de narrativa e significados.
Um grande recurso para proporcionar a experiência de grupo é a música.
A música atua no cérebro promovendo o contágio pelo sistema emocional e músicas coreografadas ou cantadas em coral acionam os neurônios espelho, criando, assim, uma experiência compartilhada. Combinando música com movimentos e gestos, cria-se uma coreografia que pode ser executada guardando o distanciamento físico. Dança, por integrar padrões de movimento e música, atinge diretamente as zonas de recompensa do cérebro.
O interessante é que estas propostas educativas envolvendo contação e dramatização de histórias, literatura, poesia, música e dança são complementares entre si e, quando organizadas em um currículo semanal com ocorrência de uma ou mais modalidades por dia, garantem à criança experiências emocionais positivas, que contribuem para contrabalançar os fatores restritivos de proximidade física.

5. CHUVA DE “PARAQUEDAS COLORIDOS”

Krenak (2019) sugere que para “adiar o fim do mundo” é necessário abrir a mente e discutir seriamente o futuro da espécie em harmonia com a natureza, abandonando de vez a exploração predatória bem como ampliando os diálogos entre os povos.
É inspirado pela sabedoria dos povos indígenas que sugiro a adoção de uma visão positiva da educação como a saída possível para o cinzento do tempo que estamos vivendo.
É um momento delicado e importante.  É a Educação que se coloca como o espaço de diálogo mais amplamente acessível a toda a população mundial. A metáfora que nos guia é, como convidou Krenak, “abrindo paraquedas coloridos. ”
Nosso desafio, no momento, é construir paraquedas coloridos!
Paraquedas são as ideias, as emoções, os conhecimentos destinados a promover a justiça social e o acesso ao que de melhor a humanidade produziu até o momento nas artes, nas ciências, na cultura, na linguagem.
Na escola podemos traduzir por desenhar cenários educativos, construir formas de ensino, formular currículos que garantam o respeito à experiência humana, em sua diversidade. Promover contextos educativos para o desenvolvimento humano: contextos educativos onde a empatia, o acolhimento e a tolerância, determinarão um ambiente mais propício à aprendizagem de todos.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escola é um espaço de cultura e assim vai permanecer. O mesmo acontece com o professor: agente de cultura e formador de novas gerações
Estamos aprendendo que os pais não substituem o professor: o professor é um profissional que detém um conhecimento pedagógico específico e estruturado, formado a partir de seus estudos e da prática cotidiana com um grupo de alunos no espaço especializado da educação. Pai e mãe não dispõem deste conhecimento, a menos que sejam, eles próprios, professores, e o espaço domiciliar não pode reproduzir o espaço educativo da escola.
Aprendemos que a escola é um espaço de domínio da pedagogia, ciência que emergiu com destaque na situação da pandemia. A questão central não é a oposição de ensino presencial versus ensino à distância, embora tenha sido esta relação a primeira a emergir no discurso educacional nas primeiras semanas de isolamento físico. O uso da tecnologia para garantir a continuidade das aulas mostrou que o conhecimento pedagógico é essencial. A mera utilização das tecnologias disponíveis não é suficiente para levar ao processo de aprendizagem de alunos das várias idades submetidos a aulas de todas as áreas de conhecimento.
É a partir da didática, na qual o professor se apoia, que se poderá  incluir no projeto educacional o acolhimento do aluno e este será a agenda no retorno às aulas.
Quanto melhor o ensino, mais ele será um fator de formação humana, maiores as possibilidade de formação de memórias de longa duração, de instrumentos para o pensamento, reflexão, formação de conceitos, organização interna e argumentação. 
Em resumo: ensinar de forma que as experiências do educador e dos educandos na relação pedagógica e no espaço educativo sejam valorizadas e vivenciadas como experiências humanas fundamentais para o desenvolvimento de todos e de cada um.
 
A considerar durante a pandemia antes e após o retorno à escola:

Empatia  Emoção  Memória  Imaginação  Curiosidade 
Sistemas  expressivos   Sistemas simbólicos 
Conhecimento científico  Conhecimento linguístico
Arte



Referências:

KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Para saber mais, veja da autora:

Atividades de Estudo, São Paulo: Editora Inter Alia
Memória e Imaginação, São Paulo: Editora Inter Alia
Currículo, Comunicação e Cultura, São Paulo: Editora Inter Alia

livros@editorainteralia.com

www.elvirasouzalima.net
http://elvirasouzalima.blogspot.com/
instagram: @livroselviralima
https://souzalimaelvira.blogspot.com/ 
elvirasouzalima2@gmail.com
http://interaliaeditora.blogspot.com/





quarta-feira, abril 22, 2020

CURRÍCULO EMERGENCIAL PARA A EDUCAÇÃO DURANTE E PÓS PANDEMIA


ELVIRA SOUZA LIMA

São várias as questões que serão levantadas na educação escolar a partir do aparecimento e expansão do coronavírus e a pandemia que se instalou com ele. Estas questões atingirão tanto o grupo de alunos como a equipe gestora e os professores. Novas demandas surgirão, com certeza.

Podemos pensar em curto e médio prazos.

No curto prazo, o aspecto mais discutido á a utilização da educação à distância em substituição ao ensino presencial. E é natural que assim seja e que este tema seja tão discutido, uma vez que não há disponível um conhecimento pedagógico formulado e desenvolvido para o ensino à distância em tempo integral da carga horária, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Em segundo plano, surgem e surgirão com mais ênfase as questões do conteúdo curricular e da avaliação.

Mas o que o futuro imediato nos reserva?

No médio prazo seremos chamados a equacionar os valores e comportamentos sociais os quais, a partir da epidemia, precisaremos nos ocupar na escola, em todos os graus.
Nesta situação é legítimo propor um currículo emergencial que propicie de imediato as respostas aos desafios práticos do momento que, por sua vez, estão intimamente relacionados aos desafios civilizatórios colocados pela presença do novo vírus e suas consequências na vida de todos em todo o planeta.

O essencial de um currículo emergencial neste contexto é reestruturar e ampliar as ações educativas que promovam a humanização das novas gerações ao mesmo tempo em que ampliem os conhecimentos dos educadores.

Propomos, assim, apresentar e discutir os componentes principais de um currículo emergencial que atenda ao desenvolvimento humano e à vida social em um momento excepcional  de novos desafios para as gerações atuais.

sexta-feira, abril 03, 2020

ELVIRA SOUZA LIMA - PANDEMIC AND THE BRAIN




How a situation of isolation and anxiety in the context of the new global pandemic affects the brain and what to do about it, specifically with the help of the arts, music and literature, to balance our mind and feelings - by Elvira Souza Lima, PhD


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CÉREBRO EM TEMPOS DE QUARENTENA - ELVIRA SOUZA LIMA

Elvira Souza Lima


Como fica o cérebro nesta situação da quarentena do coronavírus?

O primeiro ponto a considerar, muito importante, é que a pandemia provocou uma ruptura. Muito rapidamente o contexto de vida, interações, rotina e expectativas do futuro imediato foram alterados bruscamente por uma situação nova e desconhecida para a qual a nossa memória não oferece acervos para responder.

Nós compreendemos as coisas e tomamos decisões com a participação de nossas memórias e de nossas emoções. A dificuldade no momento atual, com a pandemia, é que nunca passamos por algo semelhante. As rotinas que regulam nossa vida (família, trabalho, lazer, escola), as prioridades que estabelecemos são apoiadas no script/roteiro do nosso dia a dia e foram, repentinamente, solapadas  e terão que ser constituídas em outros termos.

No cérebro acontece uma descontinuidade química e surge a necessidade de estabelecer outras redes neuronais que deem sustentação à ação.

A reorganização no funcionamento cerebral não é instantânea, não depende somente da vontade ou deliberação. Demanda tempo.

Nós não mudamos de um momento para outro, é sempre um processo de adaptação e modificação, com avanços e retrocessos, processo este que vai definindo o percurso para formar comportamentos necessários para reagir a uma situação nova.

Um aspecto importante é que, no cérebro, haverá uma mobilização do sistema emocional de tal forma que muitas emoções emergirão. Medo é uma delas: medo do novo, medo de ser infectado, medo de que pessoas queridas o sejam e não resistam. Incerteza é outra consequência: não temos indicadores de evolução e possível término desta nova situação, pois não se sabe muito sobre o vírus e sobre as consequências. Incerteza gera insegurança. No cérebro, estes sentimentos acontecem com químicas que são liberadas em situação de estresse e que afetam bastante o estado de espírito e o humor. Então é um momento que precisamos, com certeza, buscar  um equilíbrio com a liberação de químicas que concorrem para o bem estar.

Como fazer para equilibrar ?  Algumas providências simples ajudam. Vejamos:

O cérebro precisa de pausas. Isto significa que precisa de sono, então uma das vertentes principais deste novo momento em que estamos todos imersos é garantir o sono, preservando os olhos da luz das telas de celular  e computador pelo menos uma hora antes de dormir.

O cérebro precisa de pequenos períodos de repouso, 10 a 15 minutos duas a quatro vezes por dia, ao menos.

O cérebro precisa de oxigênio, então práticas de respiração lenta e profunda contribuem bastante, assim como meditação e yoga. Exercícios físicos, que podem ser acompanhados por música, são igualmente importantes, por liberarem químicas que produzem bem estar. 

O cérebro precisa ser “alimentado” pela vivência e práticas culturais que promovem a liberação de químicas positivas, ou seja, aquelas que nos fazem sentir bem.

Nesta situação de ruptura, em que há uma demanda do pensamento crítico e da criatividade para ajudar nosso pensamento, podemos e devemos recorrer às artes.

Das formas de arte, a música é a mais pesquisada pela neurociência. Temos um cérebro musical, ou seja, um cérebro que responde geneticamente à música e por ela é transformado. Todos cantamos, sem precisar estudar música, tanto a escuta como a produção de melodia com nossa voz é uma  característica da espécie, que se manifesta muito cedo no bebê e permanece em todos os períodos de desenvolvimento. A música atua diretamente no sistema emocional, promove o contágio entre as pessoas, sendo assim, também, um fator importante nas interações interpessoais na situação de quarentena.

Ouvir música, assistir a espetáculos musicais na internet, cantar, tocar um instrumento caso se tenha estudado música, dançar (que integra música ao movimento) devem integrar a rotina diária.
Outra atividade das artes cujo impacto no cérebro já tem sido pesquisado é a literatura. São inúmeros os benefícios da leitura de obras de qualidade, mesmo que poucas páginas por dia. A poesia tem um efeito positivo no funcionamento do cérebro, muito além do que livros de autoajuda.

Então este é um momento oportuno para trazer a literatura para o cotidiano, tanto a leitura feita individualmente, como em atividades coletivas em casa. Também podemos criar grupos online voltados para leitura e conversas sobre obras literárias.

É uma ruptura, estamos vivendo uma ruptura, que, dialeticamente,  constitui uma possibilidade de criação de estratégias de humanização. E isto fazemos, também, com diálogos.

sexta-feira, janeiro 31, 2020

Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Escrita e na Leitura - Elvira Souza Lima

 

Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Escrita e na Leitura
Elvira Souza Lima



A proposta é a realização de uma edição de
2000 exemplares para serem distribuídos em
escolas, grupos e organizações sociais que,

como sabemos, tem acesso limitado ou nenhum
acesso à internet. Nestes espaços serão doados
exemplares suficientes para permitir a leitura e
o debate entre pais, professores e integrantes do
grupo em geral.


 A proposta deste livro é apresentar e refletir sobre a situação da população mais atingida pelo chamado “fracasso escolar” e questionar algumas das crenças correntes sobre a inteligência e capacidade para aprender destes alunos.

Não  há  dúvidas  que temos, no Brasil, situações complexas e desafiadoras na educação básica. De um lado, temos o fato de uma quantidade importante de alunos que não chegam a dominar a escrita. Por outro lado, temos o grande avanço das ciências do cérebro sobre como este se organiza para ler e escrever. Já foi demonstrado que a aprendizagem da leitura e da escrita são culturais, ou seja, não há um centro da escrita geneticamente determinado como há para a fala. A neurociência nos possibilita pensar que todos podem aprender a ler e a escrever.

Há cerca de 40 anos presto consultoria para redes de ensino, organizações sociais e edu- cadores em todo o país. Em quase todos os municípios, meu trabalho envolveu interagir diretamente com as crianças que não estavam aprendendo a ler e a escrever. Elas eram indicadas pelos educadores de cada escola e eram, em sua maioria, crianças negras. Em sala de aula, as meninas tendiam a ficarem retraídas e caladas, enquanto que os meninos, em sua maioria, apresentavam reação visível à rejeição e ao fracasso.

Todavia, sempre que intervenções pedagógicas culturalmente  significativas eram feitas, as meninas respondiam muito fortemente de forma positiva. Decidi, então, centrar este livro nas meninas negras. Como pude constatar ao longo destes anos de pesquisas e estudos etnográficos, ao abordar o tema das possibilidades de aprendizagem destas meninas com educadores, a situação de fracasso escolar desaparecia.  Uma vez que se modifique o conceito de “não capazes de aprender” e se introduza uma pedagogia culturalmente relevante, que inclui a história, a literatura e a cultura da população negra, temos a possibilidade concreta que todas aprendam e se desenvolvam.

Tais fatos evidenciados no Brasil estão na linha do que vivenciei nos muito anos vividos nos Estados Unidos com a inclusão de população negra infantil e juvenil nas escolas públicas. Pude constatar na prática como o racismo mina a autoestima e confiança dos alunos e como uma mudança no contexto pode alterar profundamente a crença em si mesmos. Pude testemunhar a mesma coisa no D.C. Family Literacy, programa desenvolvido nas prisões em Washington D.C. Este programa tinha  como objetivo ampliar a experiência dos presos e presas com a escrita, incluindo formá-los contadores de história para receber seus filhos no horário das visitas, utilizando a literatura, autores negros e a cultura negra. De comum a população tinha o fato de terem sido todos, sem exceção, excluídos da escola, quer por expulsão e evasão, quer por múltiplas retenções, sempre considerados como incapazes de aprender.  

Encarregada da avaliação continuada do Programa puder atestar o impacto que este causou, principalmente pela valorização da cultura, da história e da literatura negras. A mudança de percepção de si mesmo foi apontada por todos participantes como o estímulo para voltar a estudar (nos Estados Unidos é possível prosseguir nos estudos enquanto encarcerados).

Tendo acompanhado as famílias em suas comunidades e o desempenho escolar dos filhos, pude constatar a mudança positiva nas crianças e seu crescente sucesso escolar, à medida que o programa avançava. São todas histórias de sucesso e merecem ser divulgadas.

O livro tem como objetivo demonstrar a capacidade de aprender, respeitadas a diversidade e a natureza cultural do desenvolvimento humano.

Elvira  Souza  Lima 


Estes livros serão oferecidos e socializados para leitura e estudo nos seguintes espaços:

educação do campo, Nacional
rede nacional de bibliotecas
comunitárias nas regiões no, ne, s, se
MTST nos estados de sp, rj, ce e no df
escolas públicas de mg, rj e sp
escolas públicas situadas na região do Vale do Aço, mg
escolas públicas situadas na Zona da Mata, mg
escolas situadas nas zonas periféricas e comunidades da cidade do Rio de Janeiro, rj
comunidade da maré, rj
UNAS União dos Moradores de Heliópolis, sp
comunidade de paraisópolis, sp
MSTC  (Movimento Sem Teto do Centro de
São Paulo), sp
MST  Escola Florestan Fernandes e assentamentos,  sp
Geledés,  sp
Fundação Cultural Palmares

Elvira Souza Lima tem doutorado pela Sor-bonne, França e pós-doutorado pela Stanford University, nos Estados Unidos. Com formação multidisciplinar em neurociência, antropologia, psicologia, linguística e mú- sica, desenvolveu  uma abordagem teórica inovadora que integra as dimensões bioló- gica e cultural do desenvolvimento humano que pode ser aplicada à  área de educação, em especial à aprendizagem da escrita.



coisas  international 

O livro, Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Leitura  e na Escrita, é o projeto inaugural de Coisas International, um projeto cultural de Gabriel Lima e Pedro Wirz que busca criar intersecções entre arte, artistas e diferentes campos da cultura e do conhecimento.

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fr +33 6 32 10 03 03
bra   +55 11 98168-5397
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Gabriel Lima
Pedro Wirz


como  contribuir 

R$ 270
Doação de 40 livros para escolas e institui- ções socioeducativas  + o nome do contri- buinte nos agradecimentos + 1 livro para o contribuinte

R$ 150
Doação de 20 livros para escolas e institui- ções socioeducativas  + o nome do contri- buinte nos agradecimentos

instruções 

Gabriel Souza da Silva Lima
314.263.198-43
Bradesco
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Alvaro Barrington (arte capa)

Através de mídias diversas como pintura, bordado, fotografia, gravura, Álvaro Barrington, nascido em 1983 em Caracas, Venezue- la, investiga a experiência do tempo e espaço que se traduzem culturalmente, sobretudo explorando tradições transmitidas oralmente durante sua convivência com a avó e as mulheres de sua família em Grenada, onde passou a infância. Tem realizado exposições individuais e projetos colaborativos expressivos desde 2017 em locais como MoMA PS1, New York; Galerie Thaddaeus Ropac, Lon- dres e Sadie Coles HQ, Londres.


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Design & direção de arte
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segunda-feira, julho 01, 2019

Neurociência na educação infantil: o significado do ato de desenhar

Elvira Souza Lima 
Marcelo Guimarães Lima




Resumo

Neste artigo apresentamos uma possibilidade de utilização da neurociência para a reflexão sobre um componente curricular, o desenho. Situamos o desenho como capacidade que surge na evolução da espécie humana, discutimos a predisposição genética para o traçado dos elementos básicos do desenho (ponto, linha, reta, ângulos e círculo) e como, a partir daí, o traçado evolui na criança pequena com o despontar da narrativa visual nas idades da Educação Infantil e, finalmente, a intervenção educacional que permite o pleno desenvolvimento da narrativa visual na criança pequena.  Apontamos a relevância de a neurociência ser incluída na formação do educador para que a escola garanta tempo e contexto para que a criança possa exercitar continuamente o ato de desenhar, desenvolvendo a imaginação e formando memórias. Partindo da neurociência e a necessária intersecção desta com a antropologia, e considerando as artes e o sentido estético, foi elaborada uma base teórico-prática para desenvolver um currículo para a Educação Infantil, adequado ao desenvolvimento da criança pequena: Viver a Infância (LIMA, 2005).  Nele, o desenho se insere como prática diária, dada a sua potencialidade como sistema expressivo da espécie e por constituir a identidade da criança, além de sua participação na apropriação da escrita e sua utilidade na aquisição de conhecimentos escolares das diversas várias áreas. Integrada a esta proposta, há o currículo de formação continuada para o professor, incluindo neurociência e as dimensões antropológicas e semióticas da produção de desenhos. Os desenhos aqui apresentados foram realizados por crianças da Escola de Educação Infantil de Guarani, pela equipe de professoras sob a coordenação de Heliana Bellotti e docência das professoras da equipe1e da professora Fabiana Alfim, da Rede Municipal de São Paulo, em uma escola de periferia. Eles são exemplos claros do potencial das crianças pequenas para realizar complexas narrativas visuais, quando se opta por incluir a perspectiva da neurociência no currículo e na formação dos educadores.

http://www.fumec.br/revistas/paideia/article/view/7100

REVISTA PAIDÉIA
Paidéia, ano 13, n.20, janeiro/junho de 2019
ISSN 1676-9627 (Impressa)
ISSN 2316-9605 (On-line)
Universidade FUMEC
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde.

Educação, memórias e funcionamento do cérebro Elvira Souza Lima - Revista Paidéia - FUMEC


Resumo

O avanço nas pesquisas do cérebro vivo em funcionamento, possível pela invenção de novos instrumentos de investigação não invasiva, tem trazido uma quantidade muito grande de informações que levantam pontos importantes para a educação formal de crianças, jovens e adultos. Importante destacar que vários conteúdos das pesquisas e teorização pelos neurocientistas não trazem novidades para a pedagogia, que já contempla há séculos várias práticas confirmadas hoje pela neurociência.  Por outro lado, é igualmente importante destacar que a neurociência revela e discute o funcionamento cerebral como um componente importante não somente para a aprendizagem dos alunos, como para a docência. Como exemplo, para abordar a relação simétrica que a neurociência tem com a pedagogia, discuto, neste artigo, a memória do professor a partir dos conhecimentos sobre a memória trazidos pela neurociência. Há muita produção sobre os processos de aprendizagem dos alunos, porém, apesar da relevância, pouco se estuda e pesquisa, ainda, como o cérebro se organiza para ensinar os conhecimentos formais.

ler / baixar:
http://www.fumec.br/revistas/paideia/article/view/7099

REVISTA PAIDÉIA
Paidéia, ano 13, n.20, janeiro/junho de 2019
ISSN 1676-9627 (Impressa)
ISSN 2316-9605 (On-line)
Universidade FUMEC
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde.


Elvira Souza Lima - Literacy as a Human Right



Elvira Souza Lima - Literacy as a Human Right: Literacy Practices in Brazil
in
 Taylor, Denny (editor) - Many Families, Many Literacies
Portsmouth, NH, 1997

  
read / leia aqui:  Mind Brain Culture