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segunda-feira, abril 12, 2021

ELVIRA SOUZA LIMA - MÚSICA, CÉREBRO E PANDEMIA: SAÚDE MENTAL E EMOÇÕES

 


ELVIRA SOUZA LIMA - 




A MÚSICA  mobiliza imediatamente as emoções, desperta sentimentos comuns e causa empatia. 4 décadas de pesquisa mostram as ligações estreitas e importantes entre música e cérebro. Os efeitos da música atingem todas as idades, desde a vida interuterina. Ouvir música, cantar e tocar um instrumento atuam na saúde do corpo e no bem estar e tranquilidade da mente. Nesta palestra falarei também da utilização benéfica da música na situação de pandemia, o papel que ela deve ter no ensino remoto e presencial e a importância da música em casa.


ingresso único
R$ 45,00  (+ R$ 4,50 taxa)
em até 12x R$ 5,12
Vendas até 17/04/2021  



quinta-feira, junho 04, 2020

CURRÍCULO EMERGENCIAL PARA A EDUCAÇÃO DURANTE E APÓS A PANDEMIA (Junho 2020)

ELVIRA SOUZA LIMA


“(...) A gente não fez outra coisa nos últimos tempos senão despencar. Cair, cair, cair. Então por que estamos grilados? Vamos aproveitar toda a nossa capacidade crítica e criativa para construir paraquedas coloridos. Vamos pensar no espaço não como um lugar confinado, mas como o cosmos onde a gente pode despencar em paraquedas coloridos.”

                                 Ailton Krenak


1. PRESSUPOSTOS

Somos seres sociais, dependemos de ações compartilhadas, de vários tipos de interação com o outro, das pessoas com quem mantemos relacionamento afetivo, bem como precisamos de um contexto cultural que nos dê suporte simbolicamente.
Uma ruptura no tecido social que nos acolhe e nos dá as bases simbólicas de pensamento e instrumentação para ação, acaba por provocar instabilidade no funcionamento do sistema emocional que, por sua vez, pode impactar a saúde do próprio corpo.
Com a atual pandemia, houve uma quebra momentânea no convívio social, afetando os laços de afetos e exercício da empatia pela suspensão de ações de comunicação social direta.  Esta é uma experiência difícil para qualquer pessoa.
Sentimos uma vulnerabilidade física e psicológica, ficamos em quase constante estado de alerta. Nosso cérebro encontra-se acuado. No entanto, a modificação desta realidade não depende de nossa vontade. Temos um inimigo real, do qual ainda não temos proteção, nem sabemos como a situação irá evoluir.
Estamos inquietos, estamos com medo e procuramos navegar no cotidiano afetados por estas emoções, buscando seguir com alguma rotina que nos lembre, de alguma forma, a organização anterior em nosso dia a dia.  A situação de medo e estresse que se instalou gera no cérebro a liberação de substâncias químicas negativas, digamos assim. Precisamos, na verdade, contrabalançar os processos químicos de stress no cérebro com processos químicos que nos fazem sentir bem.
Se não podemos mudar a realidade no momento, podemos modificar nossas reações incluindo atividades benéficas, que liberam substâncias químicas que nos fazem sentir bem e atingem a área de recompensa do cérebro.
A escola se apresenta, nesta situação, como um campo promissor de ação. Ela envolve várias gerações e, por sua própria natureza, implica um espaço cultural de interação humana, ao qual todos retornarão futuramente, mas que por ora funciona à distância,

2. A PEDAGOGIA E A DIDÁTICA

São várias as questões que são e serão levantadas na educação escolar a partir do aparecimento e expansão do coronavírus e a pandemia que se instalou com ele. Estas questões atingirão tanto o grupo de alunos como a equipe gestora e os professores. Novas demandas surgirão, com certeza.
Podemos pensar a curto e médio prazos.
No curto prazo, o aspecto mais discutido tem sido a utilização da educação à distância em substituição ao ensino presencial. E é natural que assim seja e que este tema seja tão discutido, uma vez que não há disponível um conhecimento pedagógico formulado e desenvolvido para o ensino à distância em tempo integral da carga horária, da Educação Infantil ao Ensino Médio. É importante destacar que porcentagem importante das crianças na maioria dos países não tem internet, nem equipamento mínimo necessário para realização de EAD. Portanto, outras formas de docência precisam ser criadas.
No médio prazo seremos chamados a equacionar os valores e comportamentos sociais dos quais, a partir da epidemia, precisaremos nos ocupar na escola, em todos os graus de ensino.
É de grande relevância trazer o fato de que a pedagogia vem sendo revisitada e ressignificada durante a pandemia e, particularmente, a didática.
O coronavírus (e suas surpreendentes consequências) trouxe
a didática para o primeiro plano da cena da educação. Depois de muito tempo centradas na avaliação, as questões do ensino foram colocadas em evidência pelo fechamento das escolas e nas variadas alternativas propostas e desenvolvidas para seguir com a escolarização das crianças e jovens.
DIDÁTICA é um dos componentes da pedagogia, ciência do ensinar com o objetivo de fazer o aluno se apropriar do conhecimento formal: o conteúdo, a metodologia, a aplicabilidade e o desenvolvimento do inconsciente cognitivo.
A didática tem princípios organizadores, método e conceitos como toda ciência. O professor estuda didática para conhecer todas suas dimensões e, a partir daí, formular seu ensino que incorpora a sua experiência (conhecimento pedagógico próprio) constituindo assim um estilo de ensinar.
Quando chamada a atender a demanda posta pelo surgimento do Covid19, a preocupação principal da escola é continuar ensinando para que os alunos não percam a “proximidade com o currículo”. Para fazer face ao problema, foi acionado imediatamente o ensino remoto.

Ensino remoto e ensino à distância

Há uma diferença importante em passar da sala de aula ao ensino online (chamado por alguns de ensino remoto) e realizar ensino à distância. Este último já existe há vários anos e tem um acervo de conhecimentos acumulados, enquanto que a transferência imediata do ensino presencial é inédito. O que ocorreu e continua ocorrendo nos diversos países foi a demanda pouco clara feita aos professores para que ministrassem suas aulas online. Realmente, a situação foi de emergência e não havia de imediato outro caminho. Para países em que o ensino online faz parte da formação dos professores, o fechamento das escolas aconteceu de maneira mais harmoniosa.  O mesmo ocorreu em escolas particulares, principalmente, nos países em desenvolvimento. Isto tem demandado muitos esforços por parte dos professores que, muitas vezes, se frustram e com razão: é um desafio levar crianças a aprender conteúdos formais sem a presença do professor que é quem as guia.
Da mesma forma os pais foram envolvidos neste empenho para dar continuidade ao ensino sem disporem de conhecimento pedagógico, contando apenas com suas próprias memórias de seus anos como alunos. Na percepção da tela plana, de experiência limitada e de comunicação restrita, é difícil achar que se pode reproduzir o tecido social e cultural da sala de aula em casa.
Dentre tantas mensagens que recebi de gravações dos alunos para os professores, creio que a lucidez desta criança traduz com perfeição a complexidade da questão:
“Professora, desculpa te incomodar...mas eu queria falar que não   estou aprendendo nada...a mãe não tem estas manias de ensinar que você tem... a mãe trabalha no restaurante, ela tem manias de fazer comida, não tem as manias de ensinar, eu queria falar isto”
A mensagem gravada por esta criança traduz com clareza o que muitos estão percebendo: ser professora não é uma atividade corriqueira. Ser professor ou professora, em todos os níveis de ensino, é ser um agente cultural de formação humana, é ser um socializador de métodos e conceitos, é participar da narrativa da vida de cada aluno, é conduzir as crianças e os jovens à cidadania, levando-os a se apropriarem dos conhecimentos formais que a humanidade produziu em sua longa caminhada.
Profissão muito prestigiada em vários países e, infelizmente pouco valorizada em muitos outros, o educador foi alçado na presente conjuntura a uma posição de destaque no mundo todo, na medida em que a escola mesma se tornou uma instituição cuja importância foi revelada pelos fatos.
A espécie humana pode aprender muito e muitas coisas na vida cotidiana, na família, na comunidade. Porém os conhecimentos escolares, que são criados e desenvolvidos historicamente, precisam de um mestre que possibilite o caminhar de cada aluno.
Todos dependem do professor. Os cientistas que estão na linha de frente de combate ao coronavírus foram ensinados por professores, o mesmo podemos dizer dos profissionais da saúde. Assim acontece com todas as profissões. O professor garante a continuidade da espécie na transmissão do conhecimento acumulado, levando as novas gerações a continuar o percurso da espécie humana.

3. CURRÍCULO EMERGENCIAL DURANTE E APÓS PANDEMIA

O essencial de um currículo emergencial neste contexto é reestruturar e ampliar as ações educativas que promovam a humanização das novas gerações ao mesmo tempo em que ampliem os conhecimentos dos educadores.
Propomos, assim, apresentar e discutir os componentes principais de um currículo emergencial que atenda ao desenvolvimento humano e à vida social em um momento excepcional de novos desafios para as gerações atuais.
Impõe-se dar mais atenção aos sistemas expressivos, função simbólica, emoção e empatia, favorecer comportamentos criativos e estimular cooperação integrados aos conteúdos das áreas de conhecimento. Além disso, destacamos a formação de comportamentos necessários para as aprendizagens escolares, tais como atividades de estudo, comportamento leitor, metodologia de pesquisa e escrita.
A situação de ensino à distância provocada pela pandemia revelou que muitos alunos não tem autonomia necessária para estudar e tomar decisões a respeito da informação.  Revelou, também, que muitos alunos  não dominam as atividades de estudo e não tem conhecimento sobre  métodos de investigação.
Para a compreensão do momento inédito que vivemos, precisamos de uma fala interna, tanto para o educador como para os alunos, que contenha um acervo amplo de vocabulário, conceitos e instrumentos de pensamento, em que lógica e metáforas se destacam.
Igualmente observamos que não podemos prescindir dos conhecimentos científicos e matemáticos, que conferem ao pensamento possibilidades de aprofundamento das questões e movimentos inovadores para reflexão sobre e atuação no contexto da pandemia e seu impacto na organização social dos povos e de realinhamento dos princípios que regem a vida cotidiana.
Observamos, ainda, que a sensibilidade e a formação estética se destacam como prioridades do momento, uma vez que o impacto das artes na liberação de químicas de bem estar e ativação da área de recompensa do cérebro é crucial para buscar um equilíbrio emocional com diminuição do medo, angústia, ansiedade que a pandemia do Covid19 acarreta.

Pausas e Respiração

O cérebro precisa de pausas.
Isto significa que precisa de sono, então, uma das vertentes principais deste novo momento em que estamos todos imersos é garantir o sono, preservando os olhos e o cérebro da luz das telas de celular e computador pelo menos uma hora antes de dormir.
O cérebro precisa de pequenos períodos de repouso, 10 a 15 minutos, duas a quatro vezes por dia, ao menos. Estes intervalos contribuem para não haver sobrecargas químicas no cérebro, evitando o estresse, que libera cortisol.
Pausas na rotina diária escolar podem ser realizadas com introdução de ações que liberam dopamina e serotonina, como ouvir música instrumental, ouvir música com lírica e cantar junto, cantar música com gestos coreografados, realizar rotinas com movimentos corporais e/ou gestos. A educação física é um componente curricular que pode (e deve) passar a contribuir de forma mais ampla no cotidiano da escola. O movimento em si, como se sabe, é um eixo fundamental de desenvolvimento na espécie humana e tem um impacto considerável no bom funcionamento do cérebro. Em outras palavras, contribui para a saúde mental.
O cérebro precisa de oxigênio, então práticas de respiração lenta e profunda contribuem muito para aliviar tensão e para criar um contexto mental propício à aprendizagem. Será de grande valia introduzir 1 a 3 minutos de exercícios de respiração no início de cada aula, professor e alunos conjuntamente.
Deve-se considerar, também, a introdução de meditação como uma forma de suporte para os professores e gestores.  Na realidade, a formação continuada deverá ampliar sua abrangência incluindo o bem estar dos professores como um dos seus objetivos.

Empatia

A empatia deve ser uma prioridade ao elaborar o currículo. É desejável que ações que requerem agir com empatia sejam incluídas de modo constante, abrangendo as várias áreas de conhecimento.
 Destacamos, entre elas, ouvir o outro, compartilhar, deliberar conjuntamente, olhar para o interlocutor, estabelecer tons de voz acolhedores, manter-se bem humorado, criar gestos significativos que possam ser feitos à distância, programar atividades culturais que oferecem condições e promovem possibilidades de empatia. Muita dentre elas são as atividades culturais com base musical e/ou poética
Criar usos semânticos novos, ou seja, introduzir novas palavras que traduzam aspectos da situação de exceção que vivemos.

Pode-se desenvolver empatia por situações de contágio emocional, como é o caso daquelas que tenham base musical e poética. São exemplos: música, canto coral, jogral, recitação de poemas, cantigas quadrinhas e parlendas, músicas coreografas com gestos e movimentos

                                                                                                                                                                    Retorno à escola

Quando pensamos no retorno à escola há que se considerar que não é um retorno como se houvesse sido apenas um período de afastamento. O retorno não neutralizará os sentimentos experimentados quando do isolamento social, além de que as ameaças continuam e ninguém sabe qual será o comportamento do vírus, portanto as emoções e afetividade terão um papel importante nos meses após o retorno.
Os adultos da escola estarão ainda em situação de risco, portanto, precisam também serem acolhidos e respeitados em seu fazer pedagógico. Necessitarão de atualização constante sobre a evolução da pandemia e, consequentemente, fazer revisões das normas adotadas à medida que saiam novas informações.
Precisarão de suporte emocional mútuo e propostas coletivas de trabalho


4. QUAL EDUCAÇÃO PARA A INFÂNCIA APÓS PANDEMIA?

Será necessário priorizar os sistemas expressivos no currículo, ampliar práticas várias de movimento com o corpo e favorecer situações pedagógicas lúdicas.
Sistemas expressivos são as várias formas de ação humana que tem como base a emoção, entre as quais destacamos a literatura, poesia e a música.
Literatura e cérebro
Muito estudado na última década, o impacto da literatura no funcionamento do cérebro merece ser considerado para elevar a literatura a um patamar de centralidade no currículo escolar desde a educação infantil. É uma das atividades que movimenta diversas áreas abrangendo praticamente todo o cérebro. Por ser uma produção estética, a leitura da obra literária envolve o sistema emocional, a função simbólica e mobiliza a imaginação, tendendo a levar a pessoa a um estado de bem estar. A narrativa na obra literária ativa a narrativa individual do leitor, suas memórias pessoais e as emoções a elas anexadas.
Por mobilizar inúmeras áreas do cérebro localizadas nos diferentes lobos, integrando-as, a leitura de obras de literatura é altamente recomendável.

Música e poesia

A criança em seus primeiros anos de vida se apropria das formas humanas de comunicação, forma-se como um ser de cultura. Desta forma, a escola de educação infantil tem como eixo importante a formação cultural da criança. Com a pandemia, com o retorno à escola, atenção extra deve ser dada à programação de ações que respeitem o afastamento físico mas que, ao mesmo tempo, promovam sentimentos de pertencimento ao grupo. Ouvir histórias e poemas em grupo (mesmo quando sentados à distância) cria um ambiente afetivo, propício à comunicação e partilha de narrativa e significados.
Um grande recurso para proporcionar a experiência de grupo é a música.
A música atua no cérebro promovendo o contágio pelo sistema emocional e músicas coreografadas ou cantadas em coral acionam os neurônios espelho, criando, assim, uma experiência compartilhada. Combinando música com movimentos e gestos, cria-se uma coreografia que pode ser executada guardando o distanciamento físico. Dança, por integrar padrões de movimento e música, atinge diretamente as zonas de recompensa do cérebro.
O interessante é que estas propostas educativas envolvendo contação e dramatização de histórias, literatura, poesia, música e dança são complementares entre si e, quando organizadas em um currículo semanal com ocorrência de uma ou mais modalidades por dia, garantem à criança experiências emocionais positivas, que contribuem para contrabalançar os fatores restritivos de proximidade física.

5. CHUVA DE “PARAQUEDAS COLORIDOS”

Krenak (2019) sugere que para “adiar o fim do mundo” é necessário abrir a mente e discutir seriamente o futuro da espécie em harmonia com a natureza, abandonando de vez a exploração predatória bem como ampliando os diálogos entre os povos.
É inspirado pela sabedoria dos povos indígenas que sugiro a adoção de uma visão positiva da educação como a saída possível para o cinzento do tempo que estamos vivendo.
É um momento delicado e importante.  É a Educação que se coloca como o espaço de diálogo mais amplamente acessível a toda a população mundial. A metáfora que nos guia é, como convidou Krenak, “abrindo paraquedas coloridos. ”
Nosso desafio, no momento, é construir paraquedas coloridos!
Paraquedas são as ideias, as emoções, os conhecimentos destinados a promover a justiça social e o acesso ao que de melhor a humanidade produziu até o momento nas artes, nas ciências, na cultura, na linguagem.
Na escola podemos traduzir por desenhar cenários educativos, construir formas de ensino, formular currículos que garantam o respeito à experiência humana, em sua diversidade. Promover contextos educativos para o desenvolvimento humano: contextos educativos onde a empatia, o acolhimento e a tolerância, determinarão um ambiente mais propício à aprendizagem de todos.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escola é um espaço de cultura e assim vai permanecer. O mesmo acontece com o professor: agente de cultura e formador de novas gerações
Estamos aprendendo que os pais não substituem o professor: o professor é um profissional que detém um conhecimento pedagógico específico e estruturado, formado a partir de seus estudos e da prática cotidiana com um grupo de alunos no espaço especializado da educação. Pai e mãe não dispõem deste conhecimento, a menos que sejam, eles próprios, professores, e o espaço domiciliar não pode reproduzir o espaço educativo da escola.
Aprendemos que a escola é um espaço de domínio da pedagogia, ciência que emergiu com destaque na situação da pandemia. A questão central não é a oposição de ensino presencial versus ensino à distância, embora tenha sido esta relação a primeira a emergir no discurso educacional nas primeiras semanas de isolamento físico. O uso da tecnologia para garantir a continuidade das aulas mostrou que o conhecimento pedagógico é essencial. A mera utilização das tecnologias disponíveis não é suficiente para levar ao processo de aprendizagem de alunos das várias idades submetidos a aulas de todas as áreas de conhecimento.
É a partir da didática, na qual o professor se apoia, que se poderá  incluir no projeto educacional o acolhimento do aluno e este será a agenda no retorno às aulas.
Quanto melhor o ensino, mais ele será um fator de formação humana, maiores as possibilidade de formação de memórias de longa duração, de instrumentos para o pensamento, reflexão, formação de conceitos, organização interna e argumentação. 
Em resumo: ensinar de forma que as experiências do educador e dos educandos na relação pedagógica e no espaço educativo sejam valorizadas e vivenciadas como experiências humanas fundamentais para o desenvolvimento de todos e de cada um.
 
A considerar durante a pandemia antes e após o retorno à escola:

Empatia  Emoção  Memória  Imaginação  Curiosidade 
Sistemas  expressivos   Sistemas simbólicos 
Conhecimento científico  Conhecimento linguístico
Arte



Referências:

KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Para saber mais, veja da autora:

Atividades de Estudo, São Paulo: Editora Inter Alia
Memória e Imaginação, São Paulo: Editora Inter Alia
Currículo, Comunicação e Cultura, São Paulo: Editora Inter Alia

livros@editorainteralia.com

www.elvirasouzalima.net
http://elvirasouzalima.blogspot.com/
instagram: @livroselviralima
https://souzalimaelvira.blogspot.com/ 
elvirasouzalima2@gmail.com
http://interaliaeditora.blogspot.com/





sexta-feira, abril 03, 2020

CÉREBRO EM TEMPOS DE QUARENTENA - ELVIRA SOUZA LIMA

Elvira Souza Lima


Como fica o cérebro nesta situação da quarentena do coronavírus?

O primeiro ponto a considerar, muito importante, é que a pandemia provocou uma ruptura. Muito rapidamente o contexto de vida, interações, rotina e expectativas do futuro imediato foram alterados bruscamente por uma situação nova e desconhecida para a qual a nossa memória não oferece acervos para responder.

Nós compreendemos as coisas e tomamos decisões com a participação de nossas memórias e de nossas emoções. A dificuldade no momento atual, com a pandemia, é que nunca passamos por algo semelhante. As rotinas que regulam nossa vida (família, trabalho, lazer, escola), as prioridades que estabelecemos são apoiadas no script/roteiro do nosso dia a dia e foram, repentinamente, solapadas  e terão que ser constituídas em outros termos.

No cérebro acontece uma descontinuidade química e surge a necessidade de estabelecer outras redes neuronais que deem sustentação à ação.

A reorganização no funcionamento cerebral não é instantânea, não depende somente da vontade ou deliberação. Demanda tempo.

Nós não mudamos de um momento para outro, é sempre um processo de adaptação e modificação, com avanços e retrocessos, processo este que vai definindo o percurso para formar comportamentos necessários para reagir a uma situação nova.

Um aspecto importante é que, no cérebro, haverá uma mobilização do sistema emocional de tal forma que muitas emoções emergirão. Medo é uma delas: medo do novo, medo de ser infectado, medo de que pessoas queridas o sejam e não resistam. Incerteza é outra consequência: não temos indicadores de evolução e possível término desta nova situação, pois não se sabe muito sobre o vírus e sobre as consequências. Incerteza gera insegurança. No cérebro, estes sentimentos acontecem com químicas que são liberadas em situação de estresse e que afetam bastante o estado de espírito e o humor. Então é um momento que precisamos, com certeza, buscar  um equilíbrio com a liberação de químicas que concorrem para o bem estar.

Como fazer para equilibrar ?  Algumas providências simples ajudam. Vejamos:

O cérebro precisa de pausas. Isto significa que precisa de sono, então uma das vertentes principais deste novo momento em que estamos todos imersos é garantir o sono, preservando os olhos da luz das telas de celular  e computador pelo menos uma hora antes de dormir.

O cérebro precisa de pequenos períodos de repouso, 10 a 15 minutos duas a quatro vezes por dia, ao menos.

O cérebro precisa de oxigênio, então práticas de respiração lenta e profunda contribuem bastante, assim como meditação e yoga. Exercícios físicos, que podem ser acompanhados por música, são igualmente importantes, por liberarem químicas que produzem bem estar. 

O cérebro precisa ser “alimentado” pela vivência e práticas culturais que promovem a liberação de químicas positivas, ou seja, aquelas que nos fazem sentir bem.

Nesta situação de ruptura, em que há uma demanda do pensamento crítico e da criatividade para ajudar nosso pensamento, podemos e devemos recorrer às artes.

Das formas de arte, a música é a mais pesquisada pela neurociência. Temos um cérebro musical, ou seja, um cérebro que responde geneticamente à música e por ela é transformado. Todos cantamos, sem precisar estudar música, tanto a escuta como a produção de melodia com nossa voz é uma  característica da espécie, que se manifesta muito cedo no bebê e permanece em todos os períodos de desenvolvimento. A música atua diretamente no sistema emocional, promove o contágio entre as pessoas, sendo assim, também, um fator importante nas interações interpessoais na situação de quarentena.

Ouvir música, assistir a espetáculos musicais na internet, cantar, tocar um instrumento caso se tenha estudado música, dançar (que integra música ao movimento) devem integrar a rotina diária.
Outra atividade das artes cujo impacto no cérebro já tem sido pesquisado é a literatura. São inúmeros os benefícios da leitura de obras de qualidade, mesmo que poucas páginas por dia. A poesia tem um efeito positivo no funcionamento do cérebro, muito além do que livros de autoajuda.

Então este é um momento oportuno para trazer a literatura para o cotidiano, tanto a leitura feita individualmente, como em atividades coletivas em casa. Também podemos criar grupos online voltados para leitura e conversas sobre obras literárias.

É uma ruptura, estamos vivendo uma ruptura, que, dialeticamente,  constitui uma possibilidade de criação de estratégias de humanização. E isto fazemos, também, com diálogos.

quinta-feira, abril 20, 2017

sábado, fevereiro 06, 2016

Elvira Souza Lima - MAIS MÚSICA EM SUA VIDA

     

MAIS MÚSICA EM SUA VIDA  é um programa de desenvolvimento do cérebro musical.  A neurociência tem uma área de pesquisa sobre o impacto da música no cérebro, a importância da música na infância para o desenvolvimento da criança, o impacto que a música tem no cérebro do adulto e as incríveis reações que um cérebro acometido de doenças como Parkinson, Alzheimer apresenta ao escutar música

Sendo musicista e tendo sido professora de música de crianças,  percebo o quanto a música é importante na vida do ser humano e como é importante que as pessoas tenham acesso aos conhecimentos que a neurociência nos proporciona sobre o bem que a música pode trazer para nossa vida no dia a dia.

Este programa une teoria com a experiência musical  para melhor cuidarmos de nossa infância, em casa e na escola, mas também para cuidarmos melhor da vida dos jovens e dos adultos..”

         Elvira  Souza Lima






Juliana Lima Dehne, 
   Fábio Tagliaferri, 
   Daniel Nakamura

direção musical: Lívio Tragtenberg
   
A coleção EU CANTO, EU ME ENCANTO, idealizada por ELVIRA SOUZA LIMA, foi organizada para formar e desenvolver estruturas musicais no cérebro das crianças e dos adultos e para o desenvolvimento da sensibilidade musical no dia a dia da escola e na vida de todos.

    
      livros@editorainteralia.com

segunda-feira, abril 20, 2015

Cérebro Musical e Cantigas Brasileiras - Panamby Magazine


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ELVIRA SOUZA LIMA -
NOSSO CÉREBRO MUSICAL

PANAMBY  Magazine
http://www.panambymagazine.com.br


segunda-feira, outubro 24, 2011

NEUROCIÊNCIA NA SALA DE AULA: EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O SÉCULO XXI

Elvira Souza Lima



Iniciamos em Guarani, Minas Gerais, a introdução de um currículo que tem como eixo o desenvolvimento da função simbólica e da imaginação na criança pequena. Com isto temos a possibilidade de desenvolver redes internas que darão suporte às aprendizagens escolares posteriores sem comprometer a vivência da infância em seus aspectos mais importantes.


Desenhar diariamente, cantar diariamente com o coletivo todo reunido, crianças e adultos, música presente na sala de aula e nos espaços comuns, inclusive no momento da chegada, vivência de fatos científicos, da geometria, da poesia.


Os desenhos das crianças de 5 anos (em folha A3) revelam o domínio e experimentação de texturas, espaço, formas e narrativa. Exercícios diários da imaginação preparam as crianças para a vida, não apenas para o percurso escolar que elas farão. O uso da imaginação já é, e será cada vez mais, um requisito da vida nas próximas décadas.


Para quem tem vindo visitar a escolinha de educação infantil, a reação comum é de admiração pelo clima de alegria e tranquilidade. Devemos isto à competência e entusiasmo das professoras, competência da gestão pedagógica e, também, dos adultos que realizam as tarefas de apoio.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Entrevista de Elvira Souza Lima para a jornalista Paula Caires (Outubro de 2009)

Entrevista concedida à Paula Caires (Revista Projetos Escolares Educação Infantil - Online Editora) em Outubro de 2009

Pergunta - Quais as principais diferenças do cérebro das crianças de 4, 5 e 6 anos de idade? Como funciona a memória da criança e quais seus níveis? Como desenvolvê-la e estimulá-la em seus diferentes graus com as crianças dessas idades?

Elvira Souza Lima - É importante entender que o desenvolvimento do ser humano acontece por períodos de tempo que não são divididos segundo anos cronológicos. Os períodos na infância acontecem em tempo maiores como cerca de 3 anos. Assim as crianças de 4, 5 e 6 anos pertencem a um período de desenvolvimento, no qual acontecem processos, como por exemplo, o desenvolvimento da função simbólica e a formação das figuras geométricas. A maturação do cérebro é progressiva e possibilita a ampliação de processos mentais, perícia do movimento, evolução da fala, por exemplo.

Ao longo deste processo a criança desenvolve a memória, criando acervos de experiências, imagens, sons de acordo com sua experimentação e ação nos contextos em que vive. Com o desenvolvimento da memória a criança também cria acervos para imaginar. A imaginação precisa ser desenvolvida na infância. Brincar, desenhar, cantar, dançar, ouvir histórias, representar no faz de conta são atividades essenciais para o desenvolvimento da criança neste período


Pergunta - Você diz que o desenvolvimento é função da cultura. Poderia explicar?

Elvira Souza Lima - Na verdade esta não é uma ideia recente, mas que tem sido comprovada recentemente com o avanço dos estudos e pesquisas sobre o cérebro humano. O conhecimento sobre o desenvolvimento na infância nos traz a necessidade de ver a criança como ser de cultura , pertencente à espécie humana: daí a importância de integrar os conhecimentos da Neurociência, da antropologia e das artes para que, desta integração, se retire um modelo de pensamento mais adequado para se abordar a infância.

A neurociência, principalmente, vem revelando a infância como um período de relevância para a formação humana, configurando, assim, uma nova dimensão da educação infantil. A escola para educação infantil é um espaço de formação humana das novas gerações, garantindo a continuidade da espécie e a integração das experiências culturais com as possibilidades tecnológicas da sociedade contemporânea.


Pergunta - Há diferenças nas formas de estímulos para cada idade? Se sim, quais?

Elvira Souza Lima - Sim, o que propiciamos à criança pequena deve ser adequado ao seu período de desenvolvimento. Por exemplo, desenhar é uma atividade fundamental dos 3 aos 6 anos. Ouvir músicas, cantarolar, dançar e cantar, experimentar sons, ouvir com atenção sons da natureza, por exemplo, são atividades importantes nos primeiros anos da infância. Propiciar estas experiências à criança significa, muitas vezes, criar condições para que ela faça isto, dar tempo a ela para realizar estas atividades e prosseguir nelas conforme desejar. Muitas vezes o adulto se preocupa muito em estimular a criança e não dá a ela o tempo necessário para que ela realize atividades em seu próprio tempo. O tempo de exploração dos objetos, de observação, de envolvimento com uma atividade depende do período de desenvolvimento. aprendemos muito observando a própria criança: ela nos ensina, também, como e durante quanto tempo ela se dedica a uma atividade.

Pergunta - Qual o papel das brincadeiras nesse processo? Quais brincadeiras você indicaria pela riqueza de recursos que oferece ao cérebro?

Elvira Souza Lima - Cada brincadeira mobiliza o cérebro da criança segundo os componentes de movimento, oralidade, ritmo, rima, sequência. Cada brincadeira promove o desenvolvimento de movimentos determinados do corpo, de sonorizações e linhas melódicas. Cada brincadeira apresenta, portanto, especificidades. A criança precisa realizar brincadeiras de movimento: andar, correr, saltar. Brincadeiras circulares como as brincadeiras de roda, cantadas ou declamadas. Brincadeiras que desenvolvem a percepção sonora e/ou visual. Brincadeiras que envolvem parlendas e quadrinhas. Todas as brincadeiras do folklore e as brincadeiras universais oferecem riqueza de experiências e oportunidades para a criança e atuam, também, no desenvolvimento da imaginação


Pergunta - Os contos infantis assumem essa mesma função? Se não, qual o papel também dos contos infantis?

Elvira Souza Lima - Os contos infantis tradicionais passaram de história oral para a escrita. Ou seja, uma tradição oral de séculos, por vezes, foram registradas em algumas culturas e a partir daí permaneceram como acervos para muitas gerações. Muitas histórias foram perpetuadas também pelas dramatizações, tanto com personagens como com bonecos (marionetes de muitos tipos diferentes). Mais recentemente estas histórias passaram a ser re-elaboradas em várias formas de mídia: filmes, animações, novelas e seriados, dramatizações teatrais, desenhos animado. Hoje as crianças têm várias fontes para a experiência com as histórias. Esta tradição gerou, também, a produção específica de literatura infantil e que tomou uma proporção inédita e importante nas últimas décadas.

História, contos, lendas e fábulas têm um papel importante na formação da criança e no desenvolvimento da memória e imaginação. Eles atuam na formação da estrutura da narrativa na memória, que proporciona muitos subsídios para desenvolvimento e aprendizagens posteriores, dentre as quais destacamos a apropriação da escrita e a atividade criativa da mente humana.


Pergunta - Qual a importância e o papel da música nesse processo de estímulo e desenvolvimento infantil?

Elvira Souza Lima - O papel da música é enorme, conforme constatado pelas pesquisas na àrea de neurociência. Sabemos disto, também, através da antropologia, que nos mostra o papel central que a música tem na organização dos grupos sociais. Na verdade, a história da evolução da espécie humana deixa bem claro que a música foi um dos fatores fundamentais de desenvolvimento da espécie, presente antes mesmo da fala. Para a criança, a música é fator de humanização, de congregação com os adultos e com as crianças mais velhas. Tem um papel na identidade cultural e é fator decisivo no desenvolvimento da função simbólica da criança.


Pergunta - Há diferenças de funções conforme o tipo de música trabalhada (diferentes ritmos, só cantada ou acompanhada de instrumento...)?

Elvira Souza Lima - Os diferentes ritmos, tonalidades, harmonização afetam diferentemente o cérebro. Da mesma maneira vocalizes e canto apresentam particularidades em relação à música instrumental no processamento pelo cérebro. Instrumentos e vozes apresentam um impacto no cérebro quando executadas conjuntamente que difere quando somente instrumento ou somente voz chegam ao cérebro. Porém, é importante salientar que todas as formas de música têm um impacto muito grande, como mostram as pesquisas mais recentes sobre música e cérebro. Também estas pesquisas revelam que os efeitos variam conforme a idade da pessoa. Certo é que para a criança pequena, a experiÊncia com a música cotidianamente traz impactos duradouros sobre o desenvolvimento infantil. Por isto a música deve estar presente em casa e na escola.

Pergunta - O que o processo de alfabetização deve priorizar para ser bem sucedido, independentemente da linha pedagógica seguida?

Elvira Souza Lima - Com certeza o desenvolvimento da função simbólica. A formação na memória das letras, sílabas e palavras e, fundamentalmente, as estruturas da sintaxe. A sintaxe, envolvendo o verbo de ação, principalmente, é eixo da aprendizagem da escrita e da leitura. Independemente do método, se a criança não aprender as dimensões da lingua escrita (sintaxe, semântica, léxico, fonologia e morfologia) não dominará a escrita. Qualquer método precisa atender à formação na memória dos conceitos de letra, sílaba, palavra, frase e texto.

Pergunta - Existe uma idade certa para dar início ao processo de alfabetização formal? Existe uma idade limite para que a alfabetização esteja concluída?

Elvira Souza Lima - Apropriar-se da língua escrita, sendo capaz de ler e de escrever uma língua é um processo bem longo. A escrita é muito complexa e tem vários níveis de apropriação: compreender poesia, escrever poesias, escrever um conto tem suas especificidades. Escrever um relatório científico tem outras. Um texto jurídico, outras. Assim, pode-se ir pela vida toda aperfeiçoando e expandindo a compreensão na leitura e capacidade na escrita.

Porém, toda criança com 3 anos de escolarização tem a possibilidade de ler compreendendo (ler é compreender) e de escrever textos de algumas linhas (5 a 7 no mínimo) com a sintaxe básica, com correção fonológia e ortográfica e utilizando palavras corretamente. Isto depende de ensino e prática cotidiana. Do ponto de vista do desenvolvimento, isto pode ser feito a partir do período de 6 a 8 anos.

Pergunta -Você defende a organização do currículo escolar por ciclos de aprendizagem. O que seriam e como funcionariam?

Elvira Souza Lima - Seria melhor pensar na organização curricular segundo os períodos de desenvolvimento humano, que em muitas prefeituras espalhadas por todo Brasil são denominados de ciclos de aprendizagem. A aprendizagem dos conteúdos escolares se apoia nos períodos de desenvolvimento. Não adianta querer adiantar certas aprendizagens na escola para as quais a criança depende da formação de estruturas no cérebro, estruturas estas que são formadas segundo condições próprias da espécie.


Pergunta - O que poderia ser dispensado das aulas pelo fato das crianças já trazerem consigo naturalmente?

Elvira Souza Lima - Desenhar as figuras geométricas, aprender as cores que estão em seu contexto, nomeá-las são coisas que fazem parte do desenvolvimento humano. Cantar, também. Temos várias aquisições na própria genética da espécie. A escola deve aproveitar estas características do desenvolvimento infantil para ampliar a experiência da criança em cada uma delas.

Por exemplo, trabalhar com as figuras geométricas para construir formas como com o tangran, fazer maquete de algum local como a escola ou o bairro ou ainda sobre o movimento dos astros são atividades escolares, que a criança só fará se for ensinada e orientada. Desta forma, o currículo deve partir do desenvolvimento humano , sempre com a preocupação de desenvolver a imaginação

Pergunta - Até que ponto a televisão e a internet ajudam ou atrapalham no processo de desenvolvimento da criança? Por favor, explique.

Elvira Souza Lima - Televisão e computador não podem extrapolar um tempo diário de uma a duas horas na vida da criança pequena. Em muito países a recomendação é de uma hora diária a partir dos 3 anos e alguns recomendam que a criança de até 2 anos não seja exposta a nenhum dos dois. Isto decorre de pesquisas sobre o desenvolvimento biológico e cultural da primeira infância, incluindo-se aí as pesquisas sobre o processo de maturação e desenvolvimento do cérebro infantil

Pergunta - O défict de atenção e a hiperatividade podem ter relação com a influência desses meios na vida das crianças ou esses trantornos da aprendizagem estão relacionados à condição genética da pessoa? Por favor, explique.

Elvira Souza Lima - Há um equívoco muito grande atualmente em considerar comportamentos normais das crianças como déficit de atenção e hiperatividade. Como consequência temos muitas crianças sendo medicadas erroneamente, com prejuízos imediatos sobre seu processo de desenvolvimento. Os comportamentos identificados como de hiperatividade e déficit de atenção são decorrentes, muitas vezes, dos contextos em que a criança vive, que oferecem poucas oportunidades para que a criança exerça o que é próprio da infância, sendo o brincar um dos mais importantes.