quarta-feira, abril 22, 2020
CURRÍCULO EMERGENCIAL PARA A EDUCAÇÃO DURANTE E PÓS PANDEMIA
sexta-feira, abril 03, 2020
ELVIRA SOUZA LIMA - PANDEMIC AND THE BRAIN
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CÉREBRO EM TEMPOS DE QUARENTENA - ELVIRA SOUZA LIMA
Como fica o cérebro nesta situação da quarentena do coronavírus?
O primeiro ponto a considerar, muito importante, é que a pandemia provocou uma ruptura. Muito rapidamente o contexto de vida, interações, rotina e expectativas do futuro imediato foram alterados bruscamente por uma situação nova e desconhecida para a qual a nossa memória não oferece acervos para responder.
Nós compreendemos as coisas e tomamos decisões com a participação de nossas memórias e de nossas emoções. A dificuldade no momento atual, com a pandemia, é que nunca passamos por algo semelhante. As rotinas que regulam nossa vida (família, trabalho, lazer, escola), as prioridades que estabelecemos são apoiadas no script/roteiro do nosso dia a dia e foram, repentinamente, solapadas e terão que ser constituídas em outros termos.
No cérebro acontece uma descontinuidade química e surge a necessidade de estabelecer outras redes neuronais que deem sustentação à ação.
A reorganização no funcionamento cerebral não é instantânea, não depende somente da vontade ou deliberação. Demanda tempo.
Nós não mudamos de um momento para outro, é sempre um processo de adaptação e modificação, com avanços e retrocessos, processo este que vai definindo o percurso para formar comportamentos necessários para reagir a uma situação nova.
Um aspecto importante é que, no cérebro, haverá uma mobilização do sistema emocional de tal forma que muitas emoções emergirão. Medo é uma delas: medo do novo, medo de ser infectado, medo de que pessoas queridas o sejam e não resistam. Incerteza é outra consequência: não temos indicadores de evolução e possível término desta nova situação, pois não se sabe muito sobre o vírus e sobre as consequências. Incerteza gera insegurança. No cérebro, estes sentimentos acontecem com químicas que são liberadas em situação de estresse e que afetam bastante o estado de espírito e o humor. Então é um momento que precisamos, com certeza, buscar um equilíbrio com a liberação de químicas que concorrem para o bem estar.
Como fazer para equilibrar ? Algumas providências simples ajudam. Vejamos:
O cérebro precisa de pausas. Isto significa que precisa de sono, então uma das vertentes principais deste novo momento em que estamos todos imersos é garantir o sono, preservando os olhos da luz das telas de celular e computador pelo menos uma hora antes de dormir.
O cérebro precisa de pequenos períodos de repouso, 10 a 15 minutos duas a quatro vezes por dia, ao menos.
O cérebro precisa de oxigênio, então práticas de respiração lenta e profunda contribuem bastante, assim como meditação e yoga. Exercícios físicos, que podem ser acompanhados por música, são igualmente importantes, por liberarem químicas que produzem bem estar.
O cérebro precisa ser “alimentado” pela vivência e práticas culturais que promovem a liberação de químicas positivas, ou seja, aquelas que nos fazem sentir bem.
Nesta situação de ruptura, em que há uma demanda do pensamento crítico e da criatividade para ajudar nosso pensamento, podemos e devemos recorrer às artes.
Das formas de arte, a música é a mais pesquisada pela neurociência. Temos um cérebro musical, ou seja, um cérebro que responde geneticamente à música e por ela é transformado. Todos cantamos, sem precisar estudar música, tanto a escuta como a produção de melodia com nossa voz é uma característica da espécie, que se manifesta muito cedo no bebê e permanece em todos os períodos de desenvolvimento. A música atua diretamente no sistema emocional, promove o contágio entre as pessoas, sendo assim, também, um fator importante nas interações interpessoais na situação de quarentena.
Ouvir música, assistir a espetáculos musicais na internet, cantar, tocar um instrumento caso se tenha estudado música, dançar (que integra música ao movimento) devem integrar a rotina diária.
Outra atividade das artes cujo impacto no cérebro já tem sido pesquisado é a literatura. São inúmeros os benefícios da leitura de obras de qualidade, mesmo que poucas páginas por dia. A poesia tem um efeito positivo no funcionamento do cérebro, muito além do que livros de autoajuda.
Então este é um momento oportuno para trazer a literatura para o cotidiano, tanto a leitura feita individualmente, como em atividades coletivas em casa. Também podemos criar grupos online voltados para leitura e conversas sobre obras literárias.
É uma ruptura, estamos vivendo uma ruptura, que, dialeticamente, constitui uma possibilidade de criação de estratégias de humanização. E isto fazemos, também, com diálogos.
sexta-feira, janeiro 31, 2020
Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Escrita e na Leitura - Elvira Souza Lima
Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Escrita e na Leitura
Elvira Souza Lima
segunda-feira, julho 01, 2019
Neurociência na educação infantil: o significado do ato de desenhar
Marcelo Guimarães Lima

Neste artigo apresentamos uma possibilidade de utilização da neurociência para a reflexão sobre um componente curricular, o desenho. Situamos o desenho como capacidade que surge na evolução da espécie humana, discutimos a predisposição genética para o traçado dos elementos básicos do desenho (ponto, linha, reta, ângulos e círculo) e como, a partir daí, o traçado evolui na criança pequena com o despontar da narrativa visual nas idades da Educação Infantil e, finalmente, a intervenção educacional que permite o pleno desenvolvimento da narrativa visual na criança pequena. Apontamos a relevância de a neurociência ser incluída na formação do educador para que a escola garanta tempo e contexto para que a criança possa exercitar continuamente o ato de desenhar, desenvolvendo a imaginação e formando memórias. Partindo da neurociência e a necessária intersecção desta com a antropologia, e considerando as artes e o sentido estético, foi elaborada uma base teórico-prática para desenvolver um currículo para a Educação Infantil, adequado ao desenvolvimento da criança pequena: Viver a Infância (LIMA, 2005). Nele, o desenho se insere como prática diária, dada a sua potencialidade como sistema expressivo da espécie e por constituir a identidade da criança, além de sua participação na apropriação da escrita e sua utilidade na aquisição de conhecimentos escolares das diversas várias áreas. Integrada a esta proposta, há o currículo de formação continuada para o professor, incluindo neurociência e as dimensões antropológicas e semióticas da produção de desenhos. Os desenhos aqui apresentados foram realizados por crianças da Escola de Educação Infantil de Guarani, pela equipe de professoras sob a coordenação de Heliana Bellotti e docência das professoras da equipe1e da professora Fabiana Alfim, da Rede Municipal de São Paulo, em uma escola de periferia. Eles são exemplos claros do potencial das crianças pequenas para realizar complexas narrativas visuais, quando se opta por incluir a perspectiva da neurociência no currículo e na formação dos educadores.
http://www.fumec.br/revistas/paideia/article/view/7100
REVISTA PAIDÉIA
Paidéia, ano 13, n.20, janeiro/junho de 2019
ISSN 1676-9627 (Impressa)
ISSN 2316-9605 (On-line)
Universidade FUMEC
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde.
Educação, memórias e funcionamento do cérebro Elvira Souza Lima - Revista Paidéia - FUMEC

O avanço nas pesquisas do cérebro vivo em funcionamento, possível pela invenção de novos instrumentos de investigação não invasiva, tem trazido uma quantidade muito grande de informações que levantam pontos importantes para a educação formal de crianças, jovens e adultos. Importante destacar que vários conteúdos das pesquisas e teorização pelos neurocientistas não trazem novidades para a pedagogia, que já contempla há séculos várias práticas confirmadas hoje pela neurociência. Por outro lado, é igualmente importante destacar que a neurociência revela e discute o funcionamento cerebral como um componente importante não somente para a aprendizagem dos alunos, como para a docência. Como exemplo, para abordar a relação simétrica que a neurociência tem com a pedagogia, discuto, neste artigo, a memória do professor a partir dos conhecimentos sobre a memória trazidos pela neurociência. Há muita produção sobre os processos de aprendizagem dos alunos, porém, apesar da relevância, pouco se estuda e pesquisa, ainda, como o cérebro se organiza para ensinar os conhecimentos formais.
ler / baixar:
http://www.fumec.br/revistas/paideia/article/view/7099
REVISTA PAIDÉIA
Paidéia, ano 13, n.20, janeiro/junho de 2019
ISSN 1676-9627 (Impressa)
ISSN 2316-9605 (On-line)
Universidade FUMEC
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde.
Elvira Souza Lima - Literacy as a Human Right
domingo, maio 26, 2019
sábado, maio 25, 2019
Ofertas Novas e Renovadas: Editora Inter Alia - livros de Elvira Souza Lima
3 livros em oferta:
Brincar para quê?
A Criança Pequena e suas Linguagens
-Práticas Culturais e Aprendizagem: PIPA.
pedidos: livros@editorainteralia.com
Editora Inter Alia - blog
Elvira Souza Lima - Literacy as a Human Right
domingo, março 11, 2018
Elvira Souza Lima - A Imaginação e a Escola
Elvira Souza Lima - A IMAGINAÇÃO E A ESCOLA
Os estudos da neurociência sobre imaginação nas últimas décadas têm trazido informações importantes para a educação escolar, notadamente na questão da docência e na concepção e elaboração de currículo. Podemos afirmar a partir deste conhecimento que imaginar não é algo que se exercite em certas tarefas em momentos especiais, como fazer um desenho ou uma redação. Pelo contrário, imaginar é parte importante do processo de aprendizagem em qualquer área do conhecimento do currículo. Imaginar motiva e regula a atenção do aluno.
Um fato que merece destaque, é a importância de se desenvolver a imaginação desde a Educação Infantil. Este período de grande plasticidade cerebral e de formação da criança pequena como ser de cultura, se coloca como a situação ideal para se investir tempo em atividades que tenham a imaginação e a função simbólica como eixos curriculares.
Imaginar é abrir possibilidades novas, através de redes neuronais que se formam pelo pensamento e pela ação, em conjugação com a memória. Podemos usar a imaginação em tarefas corriqueiras do cotidiano, na docência e na aprendizagem na escola, no trabalho, assim como em momentos específicos de criação científica ou artística.
Sempre usamos a imaginação para inovar em algo em nossa ação e em nosso pensamento, ampliando o senso comum segundo o qual a imaginação é uma característica de pessoas altamente criativas, como artistas e cientistas, que se destacam pelas realizações obtidas em suas áreas de atuação.
Basta um breve passeio pela arqueologia, pela antropologia e pela história da humanidade para perceber que a evolução do ser humano foi possível pela capacidade que a espécie tem de imaginar e simbolizar, isto é, criar significados por meio de símbolos. A imaginação é componente essencial da simbolização como capacidade de fazer presente aquilo que está ausente e de projetar no futuro ações e seus resultados.
A imaginação funciona estreitamente ligada com a memória. Isto é, imaginamos com os conteúdos que temos armazenados em nossa memória através da utilização de técnicas e procedimentos que estão, por sua vez, registrados na memória.
A relação entre imaginação e memória tem sentido duplo: a base para o funcionamento da imaginação são os elementos que estão contidos na memória e o próprio funcionamento da imaginação desenvolve a memória. Através do processo imaginativo, vários elementos da memória são evocados e novas mediações semióticas são realizadas.
Memória e imaginação são continuamente utilizadas na vida cotidiana, principalmente, para o planejamento de ações diárias, para a solução de problemas e para os processos de tomada de decisão.
Toda aprendizagem envolve a criação de novas memórias ou a ampliação de memórias já existentes. A imaginação, podemos dizer, cria condições para a aprendizagem, enquanto que a memória efetiva a aprendizagem.
Uma descoberta da neurociência esclarece os processos internos pelos quais imaginação e memória se relacionam: as áreas do cérebro e os caminhos neuronais mobilizados quando se percebe um objeto, são, parcialmente, os mesmos quando se imagina este objeto. Em outras palavras, há uma proximidade importante no funcionamento cerebral entre percepção real e a imaginação.
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https://cadernosdocepaos.blogspot.com.br/2017/11/elvira-souza-lima-imaginacao-e-escola.html









